A estudantes, Bolsonaro recomenda livro de torturador para professora ‘esquerdista’

O presidente Jair Bolsonaro, cumprimenta populares no Palácio da Alvorada. 27/09/2019

O presidente Jair Bolsonaro, cumprimenta populares no Palácio da Alvorada. 27/09/2019 Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
Gustavo Maia

Em conversa com estudantes na manhã desta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro recomendou que uma professora lesse o livro “A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça”, do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Morto em 2015, o militar foi condenado em segunda instância por tortura na ditadura militar. Ustra comandou o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações) em São Paulo, no auge da repressão militar.

Um aluno disse que o grupo que estava na porta do Palácio da Alvorada tinha uma professora e pediu que Bolsonaro mandasse um abraço para ela, sem dar mais detalhes. O presidente então questionou se a docente era de esquerda e ouviu dos estudantes que sim, era petista.

— Fala pra ela ler o livro “A verdade sufocada” aí. Só ler. Depois ela tira as conclusões. Lá são fatos, não é blá blá blá de esquerdista não — comentou Bolsonaro.

O presidente conversou com o grupo de apoiadores durante cerca de seis minutos. Pouco antes de entrar no carro, dirigiu-se aos jornalistas que estavam no local para comunicar que não concederia entrevista, como vinha fazendo nos últimos meses, porque o que ele fala seria “deturpado”.

— Imprensa, gosto muito de vocês, mas tudo é deturpado. Quando vocês fizerem uma matéria real do que aconteceu lá na ONU, eu dou entrevista para vocês, tá ok? Um abraço aí — afirmou.

Na semana passada, também em conversa com apoiadores na entrada do Alvorada, o presidente disse a um homem que lhe pediu ajuda que ele não conseguiria emprego “só pelo bafo”.

O apoiador falou diversas vezes com Bolsonaro. Primeiro, disse que amava o presidente, ressaltou que o turismo é o “futuro do Brasil” e pediu ajuda, mas sem especificar como. Depois, disse que queria ajudar Bolsonaro a colocar o “turismo no topo”. Em certo momento, pediu para tirar uma foto com o presidente, e foi atendido. Logo depois, repetiu o pedido de ajuda:

— Turismo, Bolsonaro, me ajuda, por favor.

Nesse momento, o presidente fez o comentário sobre o “bafo” com um segurança que estava ao seu lado.

— Só pelo bafo, não vai ter emprego — disse o presidente.

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