‘A gente vai reagir’: o vídeo de Flávio Bolsonaro que levou o pai à prisão
Mensagem divulgada na véspera mobilizou apoiadores e, segundo Moraes, criou risco de tumulto e fuga
Por Carol Neves

Flávio Bolsonaro gravou vídeo Crédito: Reprodução
A prisão de Jair Bolsonaro, ocorrida por volta das 6h deste sábado (22), foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes após a Polícia Federal (PF) apontar risco à ordem pública. O motivo central: a divulgação, na sexta-feira, de um vídeo em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conclamava apoiadores a se mobilizar diante do condomínio onde o ex-presidente cumpre medida cautelar em uma vigília.
A gravação feita por Flávio incentivava militantes a ocupar a área em frente à casa do pai. “Com a sua força, a força do povo, a gente vai reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje”, declarou o senador. Em outro trecho, acrescentou: “Vamos pedir a Deus que aplique a sua justiça aos que perseguem tanta gente inocente e ajudam os verdadeiros bandidos a se manterem no poder. Não tem mal que dure para sempre”.
A manifestação circulou rapidamente nas redes sociais, e a Polícia Federal, ainda na sexta, solicitou a prisão para evitar novos atos que pudessem comprometer o cumprimento das medidas impostas pelo STF.
Moraes fundamentou sua decisão alertando que a mobilização convocada por Flávio Bolsonaro “tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga” do ex-presidente.
Além disso, no despacho, o ministro estabeleceu novas restrições: determinou que uma audiência de custódia por videoconferência aconteça já no domingo na Superintendência da PF no Distrito Federal, prevê atendimento médico integral a Bolsonaro, e exige que todas as visitas sejam previamente autorizadas pelo STF – excetuando-se apenas advogados e equipe médica. Ele também mencionou como precedente uma fuga de outro condenado (Alexandre Rodrigues Ramagem), que se evadiu para Miami, para reforçar a “possibilidade de tentativa de fuga” de Bolsonaro.
As palavras não foram escolhidas por acaso. Flávio Bolsonaro chama os apoiadores para uma vigília na frente do condomínio do pai, mas faz isso os chamando para "lutar".
E mais: utiliza texto de convocação de guerra do Antigo Testamento, além de descrever adversários e justiça… pic.twitter.com/HLt2881Pha
— Andrade (@AndradeRNegro2) November 22, 2025
Por fim, Moraes reforça que a presença de apoiadores nas proximidades do condomínio do ex-presidente, especialmente em manifestação convocada pelo próprio filho, não é apenas um risco simbólico: na visão dele, representa um “modo de operar” típico de organizações criminosas – usar manifestações populares para assegurar vantagens pessoais e fraudar a aplicação da lei.
Também ontem, Bolsonaro apareceu usando tornozeleira eletrônica na garagem de casa e acenou para apoiadores durante visita do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), cenário que reforçou a movimentação de simpatizantes na região e acendeu o alerta das autoridades.


























