Por Magno Martins
O ministro Wellington Dias, de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que o ex-governador Eduardo Campos o tratava carinhosamente de “Índio”, em face das suas origens indígenas, deu uma mancada, ontem, logo reparada pelo presidente do PT, Edinho Silva. Incluiu Pernambuco entre os Estados que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, terá duplo palanque.
“Essa posição está clara desde o início. Em Pernambuco, o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário”, disse Edinho, para constrangimento do ministro. A fala de Wellington, não se sabe por quais motivos, se deu numa entrevista ao jornal O Globo.
Haverá duplo palanque em Pernambuco? Ante a pergunta do repórter ao ministro, que falou ao Globo na condição de coordenador da campanha de Lula no Nordeste, o que é mais grave, diga-se de passagem, ele assim respondeu: “Sim. Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela”.
Essa parte do “considerável”, relatada pelo desinformado Wellington Dias, é outro tremendo equívoco. Das lideranças importantes do PT em Pernambuco, apenas o deputado estadual João Paulo, sem grupo, debandou para Raquel por capricho e interesses pessoais e não partidários. O mais importante quadro do PT, o senador Humberto Costa, está na chapa de João Campos na condição de candidato à reeleição.
Tenho impressão de que Wellington, na verdade, só ouviu o ex-ministro da Casa Civil, o baiano Rui Costa, que, enquanto esteve na função, acolheu Raquel como se protege uma filha, liberando todas as suas demandas no Governo, provavelmente sem sequer ouvir Lula, uma vez que era considerado o superpoderoso, intocável e onipresente chefe do primeiro time palaciano.

























