Além de ampliar número de deputados, projeto do “novo PSB” tem Cocá como vice de Jerônimo

Por Política Livre

Além de ampliar as bancadas de deputado federal e estadual, o PSB tem planos mais ousados para 2026: entrar na briga por um lugar na chapa majoritária, em particular a vice do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Como já revelou publicamente o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso (PSB), gestor do município de Andaraí, o partido articula a filiação do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), e pretende oferecer o nome do pepista como alternativa para companheiro de chapa de Jerônimo, numa amarração que interessa ao presidente nacional da sigla, João Campos, prefeito do Recife.

Caso o movimento se confirme, será replicada na Bahia, principal reduto eleitoral do presidente Lula, a aliança firmada no plano federal entre PT e PSB. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que tem um perfil de centro, a exemplo do próprio Cocá, também deve concorrer à reeleição, repetindo a “dobradinha” de 2022.

Como já revelou o Política Livreo projeto defendido pela comandante do PSB baiano, deputada federal Lídice da Mata, é fazer da agremiação, a curto e médio prazo, a terceira força política dentro da base de Jerônimo. Para isso, o governador tem, é claro, que vencer a reeleição, e a avaliação no ninho socialista e entre outros aliados é que o companheiro de chapa precisa ser uma liderança competitiva.

Nesse aspecto, Zé Cocá, reeleito com mais de 92% dos votos e com influência direta ou indireta sobre quatro dezenas de prefeitos na região de Jequié,  leva imensa vantagem em relação ao vice-governador Geraldo Júnior (MDB), que ficou apenas na terceira colocação na disputa pela Prefeitura de Salvador em 2024.

“O prefeito de Jequié nunca escondeu que só deixa a Prefeitura ano que vem se for para disputar um cargo na chapa majoritária. E ele está cada vez mais próximo de Jerônimo. Numa eleição que promete ser dura, pois não será fácil derrotar ACM Neto (União), até pelas dificuldades do próprio governo, o vice precisa ser competitivo. Com todo respeito ao MDB, aos Vieira Lima, com quem Lídice se dá bem, mas o melhor quadro é Cocá”, disse reservadamente uma fonte ligada ao PSB.

“Não podemos cometer o mesmo erro que o próprio Neto cometeu em 2022 de escolher um vice ruim apenas por conveniência, interesse individual ou para atender a um pequeno grupo. Precisamos pensar grande, em somar forças”, acrescentou a mesma fonte.

Planos ousados

Até março, quando se abre a janela partidária, o PSB deve saltar de dois para sete deputados na Assembleia, se tornando já a terceira maior bancada da base aliada. Estão prestes a ingressar no ninho socialista os deputados Niltinho (PP), Hassan Iossef (PP), Eduardo Sales (PP), Antonio Henrique Júnior (PP) e Vitor Bonfim (PV). Os quatro primeiros, insatisfeitos com a federação formada pelo próprio partido e o União Brasil, concorrerão à reeleição, enquanto o último mira uma cadeira na Câmara Federal.

Fortalecido, o projeto do “novo PSB” envolve buscar uma ampliação de espaço no governo do Estado já a partir da reforma administrativa que Jerônimo fará entre dezembro e janeiro de 2026, promovendo a saída daqueles colaboradores que serão candidatos.

Hoje, o partido comanda a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, e deve manter o posto mesmo depois da exoneração de Ângelo Almeida, que retorna à Assembleia para disputar a reeleição como deputado estadual. Os socialistas irão pleitear outro espaço no primeiro escalão.

O PSB também mira as eleições municipais de 2028 para tentar se aproximar do PSD e do Avante no número de prefeitos. A sigla quer atrair gestores municipais já com o ingresso dos novos deputados. Toda articulação tem o aval de Jerônimo, que quer fazer um reequilíbrio de forças entre as legendas da base.

Ontem (25), em Brasília, Lídice e outras lideranças do partido se reuniram com João Campos e a Executiva nacional para tratar do projeto do “novo PSB”. Como revelou mais cedo o site, os baianos pediram que seja vetado o ingresso do deputado federal Mário Negromonte Júnior (PP) na sigla, como desejava o prefeito do Recife. Segundo a coluna Radar do Poder de hoje, Lídice teme não conseguir a reeleição caso o pepista esteja na legenda, que deve emplacar dois federais pelo Estado.

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