Bancada agarra emendas

Opinião

Em meio à crise na Petrobras e o agravamento da pandemia, o Congresso acelera, de forma retardada, a discussão do orçamento federal de 2021. A Constituição manda votar o orçamento do exercício até dezembro do ano anterior, mas pela primeira vez, provavelmente pela paralisação do Congresso gerada pela Covid-19, a lei não foi cumprida.

Para Pernambuco, que tem R$ 241 milhões reservados, valor administrado pelos 25 deputados federais e três senadores, o governador Paulo Câmara pediu à bancada R$ 100 milhões para quatro obras: a barragem do Gato (20 milhões), a restauração do aeroporto de Fernando de Noronha (50 milhões), a requalificação da BR-232 (30 milhões) e a implantação do Anel Viário da rodovia PE-33, no valor de R$ 12 milhões.

Mas poucos da bancada estão dispostos a abrir mão da cota individual de R$ 8 milhões para deputado e R$ 11 milhões para cada um dos três senadores. Em videoconferência ontem em Brasília, o deputado Augusto Coutinho (SD), que coordena a bancada junto com Wolney Queiroz, líder do PDT na Câmara, não sentiu firmeza na disposição dos deputados em abrir mão de parte da sua cota para ajudar o Governo do Estado.

Para Coutinho, dos R$ 100 milhões pleiteados pelo governador, pouco mais da metade pode se traduzir em algo concreto e real. “Ninguém quer abrir mão de suas emendas individuais impositivas, porque tem compromisso com seus municípios”, relata Coutinho, que assegura ter aberto mão de R$ 3 milhões de sua cota de R$ 8 milhões.

O prazo para fechar as emendas parlamentares se encerra na próxima segunda-feira. Não há mais tempo para o governador fazer pressão na bancada. No start, em dezembro do ano passado, o próprio governador ligou para todos os deputados da bancada na tentativa de amarrar a totalidade dos R$ 100 milhões, mas nem os parlamentares que integram a bancada do PSB, o partido do governador, sinalizam abertamente que abrirão mão da cota individual de R$ 8 milhões.

Por Magno Martins

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