Bolsonaro evoca de novo a vil tortura

Há exatos 50 anos, o Brasil passava por um dos momentos mais negros de sua história. Prisões ilegais, censura à imprensa, perseguições, tortura e desaparecimento de presos políticos. Os que têm menos de 50 anos não viveram a história, mas podem conhecê-la através de livros. Boa dica é a série escrita pelo jornalista Elio Gaspari. No governo Dilma foi criada a Comissão Nacional da Verdade, que investigou todos os casos de violação aos direitos humanos praticados naquela época, porém o seu relatório ficou restrito a poucas pessoas.

Faz-se esta introdução para dizer que na propagação da tortura, o mais abjeto dos crimes, o presidente Bolsonaro não tem limite. Parece até que sente inveja dos torturadores. Na votação do impeachment de Dilma, ele dedicou seu voto ao general Carlos Alberto Brilhante Ustra, o único brasileiro que a justiça reconheceu como “torturador”. E ontem, inconformado com a posição da OAB em relação a Adélio Bispo, o maluco que lhe deu uma facada em Juiz de Fora, o presidente agrediu gratuita e covardemente o dirigente nacional da instituição, Felipe Santa Cruz Oliveira, cujo pai, Fernando Santa Cruz, pernambucano, foi preso por agentes da repressão em 1974 e seu corpo jamais encontrado. “Posso contar como o pai dele desapareceu. Ele não vai querer ouvir a verdade”, afirmou Bolsonaro. Propaganda negativa do Exército, feita por um ex-capitão, que não tem limite no que diz e muito menos no que faz. Talvez lhe fizesse bem a leitura de “A autópsia do medo”, do jornalista Parcival Barroso, biografia do delegado torturador Sérgio Paranhos Fleury, em que se conta também o trágico fim dos mais notórios torturadores daquela época. (Inaldo Sampaio)

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