Bolsonaro sugere em discurso que sofre chantagem na nomeação de André Mendonça e diz nos bastidores que autor é Alcolumbre
Há um mês, em reunião com lideranças evangélicas, Bolsonaro afirmou que Alcolumbre queria nomear um aliado para um ministério e mais uma cota de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares para colocar o nome de André Mendonça na pauta da CCJ

Jair Bolsonaro afirmou em discurso que vem sofrendo chantagem no episódio da nomeação de André Mendonça para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. “Chegam recados: ‘A gente resolve CPI, a gente resolve tudo. Me dê a vaga pro Supremo'”, afirmou Bolsonaro na Feira Brasileira do Nióbio em Campinas nesta sexta-feira (9).
Bolsonaro não disse no discurso quem é o autor das chantagens. Mas, nos bastidores, vem dizendo aliados que o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), Davi Alcolumbre (DEM-AP) vem fazendo exigências para liberar o caminho de Mendonça. Há um mês, em reunião com lideranças evangélicas, Bolsonaro afirmou que Alcolumbre queria nomear um aliado para um ministério e mais uma cota de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares. A informação foi publicada pela coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo.
Bolsonaro enviou o nome de Mendonça para avaliação do Senado em julho, mas o senador do Amapá, a quem cabe pautar a sabatina de Mendonça na CCJ, ainda não marcou uma data.
‘Terrivelmente evangélico’
Em 2019, Bolsonaro prometeu que indicaria ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo. Ele não cumpriu a promessa, quando indicou Kassio Nunes Marques para a Corte em outubro de 2020.
Já André Mendonça é pastor na Igreja Presbiteriana Esperança, na capital federal e, com a sua indicação, Bolsonaro pretende não perder eleitores entre os evangélicos.
Pesquisa presencial do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), divulgada no dia 24 de junho, apontou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem 41% dos votos entre as pessoas deste segmento religioso, contra 32% de Bolsonaro.

























