Por Josias de Souza
Do UOL
Costuma-se dizer que a ocasião faz o ladrão. No BRB, banco estatal de Brasília, é diferente. Ali, o ladrão faz a ocasião. Ao trocar R$ 12,2 bilhões por títulos de pirlimpimpim recebidos do Master, o BRB criou um tipo novo de crime: o autoassalto. Conseguiu fazer assalto a banco parecer mais simples do que roubo de galinha.
O assalto ao galinheiro exige planejamento. Antes da ação é preciso responder a inúmeras perguntas: Como neutralizar o cachorro? Como romper a cerca? Como agarrar as galinhas? Como fugir das bicadas do galo? No assalto ao BRB, o dono do Master, Daniel Vorcaro, teve menos trabalho.
A investigação mostra que não havia perdigueiro nem galos no banco de Brasília. Paulo Henrique Costa, o presidente da instituição, foi afastado do cargo sob a suspeita de cumplicidade. Os bilhões foram transferidos eletronicamente. Sem cacarejar. Em março, quando se ofereceu para comprar 58% do Master, mantendo Vorcaro no comando, o BRB tentava encobrir o assalto não abrir um novo negócio.
Ibaneis Rocha, o governador da Capital, é correligionário de Michel Temer, conselheiro de Vorcaro. Ibaneis é amigo também de amigões do banqueiro. Gente como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, os chefes da federação União-PP. Num ambiente assim, tão amistoso, não há arames farpados. A porteira abre sozinha.
A investigação do caso Master será incompleta se não esclarecer a relevância das conexões políticas na formação do escândalo. Só uma irrecuperável mente criminosa se aventura a roubar galinhas sabendo o trabalho que dá. O tráfico de influência parece mais limpinho. Às vezes requer apenas um par de telefonemas.




























