Cinco ministros pernambucanos no governo

 A República de Pernambuco 

Com a confirmação de Roberto Freire no Ministério da Cultura, o Governo Michel Temer vira, literalmente, a República de Pernambuco. Nunca o Estado ocupou tanto espaço na corte quanto agora. São cinco ministérios, porque, apesar de ter transferido seu domicílio eleitoral para São Paulo, Freire é cota do Estado na Esplanada dos Ministérios e tende a ter uma atenção especial às suas bases de origem.

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Juntem-se à Cultura, os Ministérios de Educação (Mendonça Filho), Cidades (Bruno Araújo), Defesa (Raul Jungmann) e Minas e Energia (Fernando Bezerra Filho). O Ministério da Educação, por exemplo, é o segundo maior orçamento da União, ficando atrás apenas de Saúde. Teve um bloqueio de R$ 1,3 bilhão, mas seu orçamento para este ano foi de R$ 31,5 bilhões.

A pasta de Cidades cuida de políticas públicas que envolvem vultosos recursos, como o programa Minha Casa, Minha Vida. Apenas no caso da mobilidade, o ministro Bruno Araújo tem o respaldo de Temer para executar R$ 30 bilhões em obras por todo o País. Com os recursos orçados neste ano e os previstos para 2017, muitos prefeitos eleitos em outubro passado farão romaria ao seu gabinete.

O Ministério de Minas e Energia também não fica atrás em temos de importância. Seu orçamento autorizado pelo Congresso foi R$ 6,51 bilhões em 2016, mas o governo limitou estes gastos a R$ 3,37 bilhões. Trata-se de um corte brutal, o maior dentre todos que passaram pela tesoura implacável do bloqueio do ministro Henrique Meirelles, mas ainda é um baita caixa.

A Defesa, por sua vez, tem orçamento de R$ 15,8 bilhões para 2017, estando com Jungmann o controle de todas as políticas de ampliação e melhoria das chamadas Forças Armadas. Roberto Freire, que foi senador por Pernambuco entre 1995 e 2002, tendo antes sido eleito deputado federal, havia voltado ao Congresso na condição de suplente pelo PPS de São Paulo.

O presidente Temer aumentou em mais de 40% o orçamento destinado ao Ministério da Cultura em 2017. O valor representa, segundo ele, a determinação do governo em proporcionar uma política cultural sólida. Isso se deu após a polêmica decisão do presidente de extinguir a Pasta, que passaria a ser vinculada ao Ministério da Educação. Mas houve reação e Temer recuou.

Entre 2001 e 2015, o orçamento do Ministério da Cultura apresentou crescimento. Porém, os recursos desembolsados não acompanharam o aumento. Nos últimos 15 anos foram orçados R$ 33,9 bilhões para a Pasta, mas apenas 54% foram efetivamente utilizados nas iniciativas culturais. O montante representa R$ 18,6 bilhões.

A diferença é ainda maior quando analisados apenas os investimentos da Cultura, isto é, recursos para obras e compras de equipamentos. No período, foram orçados R$ 6,9 bilhões para essa rubrica de despesa, porém apenas R$ 2,2 bilhões foram efetivamente aplicados, o que representa 31,5% do total. Os dados foram levantados pelo site Contas Abertas e atualizados pelo IPCA.

(Magno Martins)

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