No circuito Barra-Ondina, três jovens de Israel são prova viva disso. O trio chama atenção não apenas pelo hebraico no meio da multidão, mas pela naturalidade com que se integra à dinâmica da folia baiana.
Elan, Erez e Perek vieram ao Brasil seguindo uma tradição comum entre jovens israelenses. Depois do serviço militar ou ao completar 20 anos, todos recebem financiamento para fazer uma grande viagem, geralmente para a Ásia ou América do Sul.
Elan escolheu fazer um tour por vários países da América Latina, e parar na Bahia no melhor momento para visitar Salvador. “Meu irmão me disse que a melhor festa de todas era aqui, no Brasil, em Salvador. E eu entendi que precisava vir para cá”, conta.
Junto com ele, estavam um amigo de infância com o qual não falava há seis anos, Erez, e um outro israelense, Perek, que conheceu esse amigo nas ruas de Salvador na primeira de quatro vezes em que visitou a cidade.
“O Brasil é minha cidade preferida no mundo. Cada vez é mais louca que a última”, diz Perek.
E como funciona a comunicação?
Nenhum dos três fala português, mas isso não tem sido empecilho para viver a Bahia a fundo. Solteiros, os três confirmam que já viveram experiências típicas da folia e amaram o que experimentaram.
“Poucas (brasileiras) falam inglês, mas eu sei um pouco de espanhol, então entendo um pouco na mistura. O espanhol é a chave da comunicação, deixa tudo mais fácil”, contam.
Em alguns momentos, eles chegaram a testar aplicativos de idioma, como o Duolingo, mas não gostaram da experiência: “Eles ensinam frases estranhas, aprendemos a falar que ‘gato toma leite'”.
Elan, então, encontrou o “Language Transfer”, aplicativo que ajuda na tradução de idiomas a partir do inglês. Mas, no circuito, o celular nem sempre é necessário.
Se ninguém fala a mesma língua, a resposta vem direta: “Se você sente uma boa conexão com a pessoa, nem precisa falar”.
“É como se você dissesse: ‘Quero te beijar’. E ela não entende as palavras, mas entende o que você quer”, diz.
Quanto aos beijos, os próprios gringos afirmam ficar “sem palavras para descrever”. “Incríveis. Os melhores beijos da minha vida”, conta Perek.
Brasileiros gentis
Vindo de um pouco mais perto, a estadunidense Maya decidiu viajar assim que terminou o colégio e, quando percebeu que o período coincidiria com o Carnaval de Salvador, não pensou duas vezes até conhecer a festa.
“Eu queria conhecer a América do Sul. Fiz algumas pesquisas e decidi que eu queria vir para Salvador. E então eu só fui”, diz.




























