Entre estandartes coloridos e fantasias irreverentes, um bloco de rua no Carnaval pernambucano de 2026 decidiu trocar o frevo pelo debate público. Um desfile apresentou alegorias críticas à governadora Raquel Lyra (PSD) e trouxe como tema central a crise envolvendo a empresa de ônibus intermunicipais Logo Caruaruense, pertencente ao ex-governador João Lyra Neto, pai da gestora. Além disso, o aumento da tarifa de ônibus para R$ 4,50, aprovado com o aval do Governo de Pernambuco, também foi alvo de cobranças por parte das pessoas.
Os brincantes carregavam placas em formato de ônibus, com destaque para a tarifa R$ 4,50, enquanto estandartes faziam trocadilhos com mobilidade, fiscalização e transparência. Em tom de sátira, a cobrança mesclou estética carnavalesca com protesto político, prática tradicional do carnaval de rua pernambucano, historicamente marcado por crítica social.
O escândalo da Logo Caruaruense foi revelado em janeiro deste ano após o portal Metrópoles informar que a empresa do pai da governadora estava operando sem Certificado de Registro Cadastral (CRC) válido desde janeiro de 2023, sem vistorias obrigatórias e sem pagar as taxas estaduais no mesmo período. Além disso, a frota possuía ônibus com idade acima do limite legal e com inspeções vencidas. O episódio gerou repercussão política, incluindo pedido de impeachment protocolado na Assembleia Legislativa.
Após a divulgação das denúncias, a empresa comunicou a devolução das linhas e encerrou definitivamente as atividades em janeiro de 2026, com promessa de pagamento dos direitos trabalhistas aos funcionários. Contudo, até o momento não há informações se os débitos foram quitados.



























