
Artífice do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff (PT) junto com o general Eduardo Villas Bôas e Michel Temer, de quem foi ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general do Exército Sérgio Etchegoyen ironizou a decisão de Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou as condenações e devolveu os direitos políticos ao ex-presidente Lula (PT).
“Lula é vítima, o PT é perseguido pela sanha da direita fascista, a OAB, pelo seu presidente, defende alegre a quadrilha”, escreveu o militar, atacando ainda a Ordem dos Advogados do Brasil em artigo no site do Clube Militar do Rio de Janeiro.
Etchegoyen ainda compara a “benção do STF”, que permitiu que Lula se apresente mais uma vez como alternativa eleitoral, a uma declaração do general Dwight D. Eisenhower – que presidiu os EUA entre 1953 e 1961 – sobre um possível retorno do nazismo e citou o ex-presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que deixou o governo em 2013.
Lembro as palavras de Eisenhower aos jornalistas que levou a Dachau assim que as tropas aliadas libertaram o macabro campo de concentração nazista: “fotografem e descrevam tudo o que veem neste inferno, pois não faltará no futuro quem negue tudo isso.” Ele foi profético, o futuro chegou pela loucura de homens como Ahmadinejah. Por aqui, não tiveram sequer o constrangimento de dar tempo ao tempo”, afirma o general brasileiro.
Embora levante a hipótese que “juízes e promotores erraram” – “que sejam julgados” -, Etchegoyen volta à ironia para dizer que “ora, ‘nunca antes neste país’ tivemos um caso de corrupção tão escancaradamente comprovado e, ao mesmo tempo, com seus autores tão despudoradamente defendidos”.
O militar ainda cita a tese de Deltan Dallagnol, procurador-chefe da Lava Jato de Curitiba que responde a inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ), para “comprovar” o envolvimento de Lula no caso.
“Os valores gritam o quanto fomos miseravelmente roubados, já são 12 bilhões de reais recuperados! É preciso nunca esquecer estes valores. Cumpra-se toda a liturgia do devido processo, recorra-se quantas vezes for possível, mas esses números escancaram que tivemos uma tentativa de perpetuação no poder a partir do mais desavergonhado episódio de corrupção”.
Golpe
De longa linhagem golpista na estrutura militar – sua família está nas Forças Armadas desde a década de 1902 -, Sérgio Etchgoyen foi alçado à tutela do governo Michel Temer após atuar como articulador do golpe contra Dilma Rousseff junto à caserna.
Ele e Villas Bôas, então comandante do Exército, tiveram uma reunião secreta com Michel Temer um ano antes do golpe que depôs do poder a ex-presidenta Dilma. A revelação foi feita por Denis Rosenfield durante o lançamento do livro A Escolha, que reúne uma série de entrevistas feitas com Temer.
Em nota, Etchegoyen afirmou que as conversas com Temer serviram para “troca de impressões” e conselhos com o então vice-presidente. Ele nega que tenha influenciado no golpe de Dilma.


























