Por Larissa Rodrigues
Faltando pouco mais de quatro meses para encerrar seu terceiro ano de gestão e entrar em 2026, quando serão realizadas as eleições, a governadora Raquel Lyra (PSD) terá pela frente dias conturbados na relação com a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Não é novidade o desgaste entre os poderes Executivo e Legislativo desde que Raquel assumiu a gestão, em janeiro de 2023. Mas o tensionamento só aumentou até aqui, trazendo com ele uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a ser instalada na manhã de hoje (19). O grupo vai investigar contratos de publicidade da administração do Estado.
Com deputados experientes no jogo político, a oposição na Casa articulou-se trocando parlamentares de partidos e conseguiu garantir maioria na CPI, ficando mais fácil, assim, escolher presidente e relator para a comissão.
Inúmeros fatores levaram Raquel a ter tanta dor de cabeça com a Alepe, desde o jeito difícil da governadora no trato com a Casa já no primeiro ano de gestão, passando pela articulação política amadora até os recentes indícios de que a Secretaria da Casa Civil estaria envolvida no financiamento de um suposto gabinete do ódio digital, cujo trabalho seria atacar opositores na internet, o que irritou bastante os parlamentares e, convenhamos, será uma vergonha, se for comprovado.
Talvez Raquel não tenha entendido até agora uma premissa básica tão repetida por políticos de todas as vertentes: política é arte de juntar gente. É preciso conversar, agradar, fazer gestos e se cercar de apoio, de gente para sustentar seu projeto. A pior coisa em política é alguém que vive da política fingir que não é da política.
Raquel olhou a política de cima para baixo desde que sentou na cadeira de governadora. Paga um preço alto na Casa, que é feita de políticos, e não parece ter em mente um plano para aliviar a situação. Fazem falta, por exemplo, os apoios que a governadora desprezou lá atrás, como o de Álvaro Porto (PSDB), presidente da Alepe, ou dos Coelho de Petrolina, sendo um deles o deputado Antônio Coelho (UB), membro da CPI pela oposição, que poderá ser o presidente do grupo.
Também faz muita falta uma articulação mais experiente e que entenda o tamanho da cadeira que Raquel ocupa desde 2023. Não seriam páginas chinfrins de redes sociais atacando e intimidando deputados estaduais e enaltecendo Raquel que resolveriam os problemas da gestão.
Tampouco indiretas em discursos feitos em cidades do interior. Mas se nem Raquel parece ter se dado conta, com quase três anos de gestão, do tamanho da função que desempenha, é demais esperar que a equipe tenha essa noção.
Indiretas e alfinetadas – A governadora escolheu tratar da mais nova derrota política na Alepe soltando indiretas em discursos, ontem (18). Em evento em Carpina, na Mata Norte, afirmou: “Não venham fazer manobras que não dignificam a estatura da nossa gente. O Poder Legislativo é para o bem legislar e aprovar os projetos que são para o bem da nossa população. Salve Joaquim Nabuco! Salve a Casa da Assembleia Legislativa de Pernambuco!”, declarou. A gestora só esqueceu de mencionar que a Assembleia também tem o dever de fiscalizar. Para isso, serve uma CPI.

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