Mandato de Pretinha depende agora do TSE

Cabrobó (PE) – Embora tenha sido uma das mais votadas em Cabrobó, Pretinha Truká (PV) ainda depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral para ter seu mandato assegurado. Sua votação não foi oficializada porque houve um pedido de indeferimento de sua candidatura pelo Ministério Público Estadual sob a alegação de que não se afastou no prazo determinado por lei da função de educadora indígena contratada pelo Estado.

O ministro Henrique Neves da Silva, relator do processo no TSE, acolheu o pedido para que o pleno possa analisar a decisão que pede o indeferimento do pedido de Registro de candidatura. A decisão do ministro é vista como um passo positivo. Na Ilha de Assunção, há uma grande torcida para que TSE acate seu recurso.

“Na verdade, eu estava atenta aos prazos previstos na legislação e os cumpri. O impasse está na burocracia, pois o meu desligamento ficou emperrado”, diz ela. Se for impedida, será uma grande derrota para a comunidade dos Trukás, que ficarão sem representação na Câmara Municipal, porque o primeiro suplente não relação com as causas indígenas. “O direito dela é bom”, afirma o prefeito eleito Marcílio Cavalcanti, na torcida pelo mandato da aliada.

Pretinha se envolveu, também, em outra polêmica explorada pela mídia nacional. O blogueiro Reinaldo Azevedo, da revista Veja, postou fotos de crianças, segundo ele, mobilizadas pela vereadora eleita contra a PEC dos gastos. “As imagens trazem alunos nos anos iniciais do ensino fundamental, alguns talvez nem tenham chegado à idade da alfabetização, portando cartazes contra a emenda. E há até um onde se pode ler “Fora Temer”. Os infantes também estão com o rosto pintado”, escreveu o jornalista.

Segundo ainda a postagem, as fotos foram enviadas por leitores e publicadas num grupo de Whatsapp do Fórum Nacional de Educação. “Foram postadas por uma tal Pretinha Truká, que pertence à Comissão de Professores Indígenas de Pernambuco (Copipe). Seu nome, na verdade, é Edilene Bezerra Pajeú. E, sim, ela é membro do Fórum. Representa a “Comissão”, relata a postagem.

E acrescenta: “É evidente que as pessoas têm o direito de ter essa opinião ou aquela sobre a PEC 241. Mas é um espanto que crianças sejam mobilizadas para isso, levadas a servir como porta-estandartes de uma luta cujo sentido ignoram. Estamos, na verdade, diante do uso de crianças como, deixem-me ver, verdadeiros escudos humanos de uma luta que tem caráter político, ideológico. A tal Truká enviou as imagens. Não dá para saber se são alunos seus ou não. O que está claro, aí, sim, é que ela endossa o procedimento e que os estudantes são da rede estadual de Pernambuco. É um procedimento asqueroso. Aliás, a expressão “escudos humanos” vem bem a calhar para designar também as vítimas de invasores de escola Brasil afora”.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, chegou a afirmar que a atitude mostra um total despreparo dos organizadores e afirmou que escola não pode ser reduto partidário. “É deplorável e inaceitável. A rigor são crianças indefesas em processo de alfabetização tendo que fazer musiquinha contra a PEC. A escola não pode ser ambiente de proselitismo. Não podem transformar a escola em comitê político-partidário e ideológico cabe ao Ministério Público investigar se houve ferimento do Estatuto da Criança”, disse.

Pretinha ficou indignada e irada, principalmente porque não teve o mesmo tratamento ao seu direito de resposta. “Venho a público manifestar minha indignação pelas agressões, ofensas e assédio moral pelos quais fui bombardeada covardemente. Todavia, não tomo isso como ataque pessoal, pois estou convicta que o intuito dos meus detratores foi atingir o movimento indígena em Pernambuco, no Nordeste e no Brasil”, afirmou numa longa carta enviada ao blogueiro.

Para acrescentar: “Os ataques foram deflagrados no último dia 04 de novembro do corrente ano, quando na Veja online foi publicada uma matéria caluniosa, fazendo interpretações tendenciosas e distorcendo imagens, numa tentativa clara de desqualificar todo o trabalho realizado pelo nosso coletivo de professoras e professores indígenas de Pernambuco. Na sequência, alguns jornalistas desinformados acabaram reproduzindo as inverdades ali contidas”.

A índia eleita vereadora foi mais além da sua defesa. “Até mesmo o Ministro da Educação, numa demonstração clara de seu total desconhecimento sobre educação escolar indígena, teceu comentários totalmente descontextualizados, reproduzindo o preconceito do senso comum.  Aproveito a oportunidade para me dirigir a esses senhores e lhes informar que todas as atividades que desenvolvemos têm como objetivo despertar o senso crítico e valorizar a sabedoria das nossas crianças, que já entram nas nossas escolas com saberes prévios e nós professoras e professores ampliamos, corrigimos, sistematizamos oportunizando assim, a produção de novos saberes”.

E conclui: “A tal Pretinha Truká, a qual o autor do primeiro texto se refere, não é uma jornalista, tão pouco “blogueira”, mas uma ativista política, conhecida pelos lutadores e lutadoras de todo território nacional e respeitada pelo movimento indígena do nosso País. Esse respeito por mim conquistado é resultado do meu compromisso e engajamento nas lutas sociais. Sou educadora por natureza e militante da causa indígena, uma mulher simples e de origem humilde, por isso mesmo, profundamente comprometida com minhas raízes indígenas e consciente de meu papel e do meu lugar no mundo. Fui uma criança indígena que desde cedo aprendeu com os ensinamentos dos mais velhos como funciona a sociedade indígena e a sociedade dos brancos. E é assim que acontece com todas as crianças das nossas comunidades”.

(Blog Magno Martins)

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