MEC precisa de um gestor e não de um “doutrinador”

O MEC precisa mais de um gestor que de um doutrinador, mas Bolsonaro acha que está certo

Pela primeira vez, após a posse de Bolsonaro, os pernambucanos foram apresentados ontem ao seu ministro da Educação. Trata-se do colombiano (de Bogotá) Ricardo Veléz Rodríguez, de 75 anos, autor de mais de 30 livros, entre eles “A grande mentira – Lula e o patrimonialismo petista”. Ele é graduado em Filosofia e em Teologia, e também professor de diversas universidades públicas e privadas. Abomina o método educacional concebido pelo pernambucano Paulo Freire e reconhece que pesou na sua indicação o apoio do filósofo conservador Olavo de Carvalho, que mora numa pequena cidade dos Estados Unidos, de onde monitora os “comunistas” infiltrados em todos os escalões do governo federal. O ministro veio ao Recife para empossar o pernambucano Alfredo Bertini na presidência da Fundação Joaquim Nabuco.

E até pelo pouco tempo que se demorou entre nós, não foi possível extrair-lhe o pensamento sobre o que pretende fazer com o MEC, que é um ministério complexo e desafiador. Mesmo assim, quando aqui desembarcou para esse último compromisso, já se conhecia suas ideias sobre o “marxismo cultural” que teria tomado conta das escolas, o projeto “escola sem partido” que aguarda votação pelo Congresso, os valores da família pregados por Bolsonaro em sua campanha eleitoral e até suas noções de patriotismo. Talvez o MEC, na atualidade, devido aos seus gigantescos problemas, precise mais de um “gestor” que de um “doutrinador”. Mas Bolsonaro apostou num “ideólogo” e quer provar ao país que está certo.

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