Médica tenta desmistificar a morte e revela: “Morrer não é tão ruim quanto se pensa’

Foto: Kathryn Mannix / Divulgação

Claramente, este é um tempo marcado pela ascensão de descobertas sobre o mundo e a humanidade. Entretanto, apesar dos avanços, alguns mistérios permanecem. Entre um dos maiores deles está a morte. Para a maioria da sociedade contemporânea, morrer significa, com outras palavras, estar diante de algo ruim. Uma experiência difícil de compreender e por isso, temida. Por outro lado, para alguns, esse conceito tem mudado. A médica britânica, Kathryn Mannix , pioneira em cuidados paliativos, é uma das que têm estimulado esse movimento, pois, segundo ela, “morrer não é tão ruim quanto se pensa”.

A médica, que dedica sua carreira para tratar de pacientes com doenças incuráveis nos últimos estágios de sua vida, afirma que o fato da morte ainda ser um tabu, ou seja, pouco discutida entre as pessoas, dificulta ainda mais o processo para saber lidar com ela. Outra questão, é a substituição da palavra por eufemismos como “muito doente”, “falecido”, entre outros. Para ela, está na hora de voltar a falar da morte e recuperar a sabedoria de aceitá-la como um “modo normal”.

Som da morte

A autora do livro “With the End in Mind: Dying, Death, and Wisdom in an Age of Denial (“Com o fim em mente: morrer, morte e sabedoria na era da negação”, em tradução livre), ainda revela detalhadamente como seria o processo da morte:

“À medida que o tempo passa, essa pessoa passa menos tempo acordada, mais tempo dormindo, até que, no final, fica inconsciente o tempo todo. Essas pessoas estão tão relaxadas que nem se darão o trabalho de pigarrear, limpando a garganta, então pode ser que a respiração passe por pequenas quantidades de muco ou saliva na parte de trás da garganta. Isso pode causar um ruído estranho, que muitos chamam de ‘estertor da morte’ (death rattle, em inglês). ”

Em outro trecho, ela ainda conta: “As pessoas falam desse som como se fosse algo terrível, mas esse som, na verdade, me diz que o paciente está tão profundamente relaxado e em um estado de consciência tão profundo, que sequer a saliva na garganta o incomoda enquanto as bolhas de ar entram e saem dos pulmões. Então, bem no finzinho da vida, haverá um período de respiração superficial, e uma expiração que não será seguida por uma inspiração. Às vezes é algo tão suave que os familiares sequer percebem.”

*Com informações da BBC Brasil

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