MPPE encontra irregularidades em processos da Promotoria de Execuções Penais

Por Raphael Guerra 

O promotor Marcellus Ugiette foi afastado das funções. Foto: JC Imagem/Arquivo

A Corregedoria Geral do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) encontrou indícios de irregularidades em processos que estavam sob a responsabilidade do promotor Marcellus Ugiette, que é titular da 19ª e da 54ª Promotorias de Justiça Criminal da Capital, com atuação na Vara de Execuções Penais. Ugiette foi afastado das funções, na semana passada, por suspeita de corrupção passiva.

Ronda JC teve acesso ao relatório da Corregedoria do MPPE sobre as inspeções realizadas nas salas das promotorias e no gabinete do promotor. Foram recolhidos processos e objetos, como computadores, para perícia. O corregedor-geral substituto, Renato da Silva Filho, chamou a atenção para um processo criminal, relacionado a um homicídio duplamente qualificado, que estava na promotoria desde 31 de maio de 1999. Após 19 anos, a documentação ainda não havia sido devolvida à Vara competente para que o magistrado desse andamento ao caso.

A Corregedoria também verificou que vários processos estão com prazos extrapolados ou não foram registrados no sistema eletrônico Arquimedes, onde é possível a consulta pública de qualquer caso que tramita no MPPE. Há ainda processos em que não houve manifestação da promotoria ou pedido de adoção de diligências, como determina a lei. O relatório também pontuou haver possível omissão do promotor em responder às solicitações da Corregedoria, e que esse comportamento já foi objeto de outras investigações.

O corregedor Renato da Silva Filho determinou a abertura de processo administrativo disciplinar para apurar a responsabilidade do promotor Marcellus Ugiette. Os procuradores de Justiça João Antônio de Araújo  Freitas Henriques e Marilea de Souza Correia Andrade foram designados para a investigação, que deve durar até 60 dias.

O advogado de defesa do promotor, Emerson Leônidas, afirmou que soube da abertura do processo, mas que ainda não sabe o teor das acusações. “Não tivemos acesso ainda a esses fatos novos”, disse.

Sala onde o promotor Marcellus Ugiette trabalhava foi alvo de mandado de busca e apreensão

O gabinete e a residência do promotor foram alvos de mandado de busca e apreensão no último dia 03, quando foi deflagrada a Operação Ponto Cego para desarticular uma quadrilha suspeita de estelionato, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capital, advocacia administrativa e furto qualificado. No total, 19 mandados de prisão foram cumpridos. Dois advogados e um ex-PM estavam entre os presos.

Segundo as investigações, parte desse grupo, que já estava preso, teria sendo beneficiado por Ugiette. Ele teria articulado a transferência dos suspeitos para o mesmo presídio, onde continuaram praticando crimes. A Polícia Civil afirma que, em troca, o promotor teria recebido dinheiro e até presentes. Ele negou as acusações e disse que não indicava a unidade ou a cela para onde o detento deveria ir. “Vou provar minha inocência”, garantiu.

“BRAÇO FORTE”

Relatório da Polícia Civil enviado ao gabinete do desembargador Antônio de Melo e Lima, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), classificou o promotor como o “braço forte”, o “alicerce”, o porto seguro”, “capaz de minimizar, interferir e solicitar demandas em prol de membros do grupo criminoso, permitindo que assim a organização criminosa sinta-se além do bem e do mal”. Ugiette teria cido citado em escutas telefônicas. A polícia também afirma que usavam o apelido de “Anjo” para se referir a ele.

Como tem foro privilegiado, o promotor passou a ser investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPE. O depoimento de Ugiette deve ocorrer nesta semana.

Enquanto está afastado, uma força-tarefa com seis promotores foi designada a analisar os processos criminais que estavam sob a responsabilidade dele. O grupo deve atuar até o dia 31 de agosto, mas o prazo pode ser prorrogado.

 

 

 

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