“Não grite, é para a ciência” — 5 “exames” que médicos alemães realizaram em prisioneiras soviéticas

Este é o depoimento de Alexandra Belova, gravado em áudio no inverno de 1987 em Moscou. Ela permaneceu em silêncio por 46 anos sobre os eventos que ocorreram no centro de triagem de Smolensk durante a ocupação em 1941. Meu nome é Alexandra Belova. Hoje tenho 70 anos e estou sentada no meu pequeno apartamento em Moscou, ouvindo a nevasca de 1987 uivar lá fora.
Aos 46 anos, eu guardava essa frieza dentro de mim. Aos 46 anos, eu acordava no meio da noite sentindo cheiro de água sanitária e medo na pele, mas incapaz de falar. Meus filhos, meus netos, me veem apenas como uma senhora idosa e tranquila que adora tricotar e ficar olhando pela janela por horas. Eles não sabem que Alexandra morreu em 1941 em Smolensk, e a sobrevivente é apenas uma sombra, formada por fragmentos.
Decidi falar agora porque o tempo está se esgotando e a verdade é tudo o que me resta. Se eu levar isso para o túmulo, aquelas mulheres que estiveram ao meu lado naquele prédio cinza desaparecerão para sempre. E eu prometi a elas. Prometi lembrar de cada nome. Cada olhar, cada cicatriz. Este velho gravador é minha única testemunha.
Aperto o botão de gravar e minhas mãos tremem, não pela idade, mas pelo fato de estar voltando para lá, para aquele outono maldito. Antes da guerra, eu era completamente diferente. Tinha 23 anos. Acabara de concluir meu curso de enfermagem e acreditava que a vida era uma estrada sem fim rumo a um futuro brilhante. Lembro-me do nosso antigo pátio em Smolensk, do cheiro das tílias em junho e de como minha mãe assava pão aos sábados…

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