O secretário-executivo de Direitos Humanos, Diego Barbosa, credita parte desse aumento à maior conscientização social sobre as ações que se configuram como violações contra o público idoso.
“A população está mais empoderada de fazer esse processo de denúncia, já sabendo que seus dados vão ser sigilosos. Não necessariamente a gente pode dizer que houve um aumento da violência em si. O número de violações é maior do que o de denúncias, porque uma só denúncia pode trazer mais de uma violação”, justifica.
Entre as violações registradas, as mais comuns foram: negligência (633 ocorrências) e, em seguida, as violências financeira, verbal (ambas com 469), psicológica (420) e abandono (289).
Idade mais avançada
Outro dado que chama atenção foi o avanço da faixa etária das vítimas. Diferentemente de 2020, quando a maior parte dos casos atingia pessoas de 70 a 79 anos, no ano passado, a maioria dos idosos vitimados tinha entre 80 e 89.
No recorte de gênero, as mulheres também são as mais vulneráveis, sendo as vítimas de 934 denúncias, o que corresponde a 69% do total.
“É preciso que as pessoas entendam que não só o poder público, mas toda a sociedade, a comunidade e os familiares, são responsáveis pelos cuidados desses idosos. E infelizmente, a esmagadora maioria dessas violências acontece dentro de casa”, diz o secretário-executivo Diego Barbosa.
“Nós planejamos para 2022 um reforço nas ações de fiscalização nas instituições de longa permanência e nos canais de denúncias para que esse processo de conscientização avance”.
Rede de apoio
Assim como o CIAPPI, a delegada do Idoso, Lídia Barci, vem percebendo uma intensificação nos registros. “Só na unidade, nós tivemos mais de 3 mil boletins de ocorrência, sem contar os demais registrados em outras delegacias e encaminhados para cá”, conta.
“Nós temos muitos casos de estelionato de banco, injúrias, brigas de vizinho, intolerância, maus-tratos cometidos por familiares e cuidadores e Lei Maria da Penha”.
Por tudo isso, a rede de apoio na vizinhança onde o idoso vive é fundamental. De acordo com a delegada, em geral, são os vizinhos que procuram a polícia. “Inclusive, recebemos muitas denúncias anônimas. Nem sempre o idoso consegue ver que está sofrendo algum tipo de abuso”, diz.
Para fazer denúncias ao CIAPPI, basta entrar em contato pelo telefone (81) 3182-7649. Também é possível denunciar ao Disque Direitos Humanos, no número 100.

























