Por Magno Martins
Vítima de uma operação da Polícia Federal na semana passada, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) arrastou o pré-candidato ao Planalto da direita, Flávio Bolsonaro, para o furacão do escândalo Banco Master. O que se diz em Brasília é quanto mais essa podridão atingir congressistas e governadores do Centrão, mais difíceis serão as explicações que Flávio Bolsonaro terá de dar.
Por outro lado, quanto mais os holofotes iluminarem ministros do STF, pior para o presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Tem muito político graúdo dormindo sob efeito de tranquilizantes em razão de uma nova operação da Federal prevista para o final desta semana, entre quinta e sexta-feira.
A proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro deve trazer o nome do investidor Nelson Tanure. A possível citação a Tanure, segundo o jornal O Globo trouxe ontem, reforça uma tese que ganha força na PF, a de que Vorcaro terceirizava parte da sua rede de contatos políticos.
De acordo com o jornal, Vorcaro intermediava eventuais acordos entre empresários e políticos, usando o Master para quitar o pagamento de propinas e evitando o contato direto entre as duas partes.
A operação da Polícia Federal na semana passada sobre o mensalão do banqueiro Daniel Vorcaro para o senador Ciro Nogueira sugere que, depois de meses esquadrinhando o STF, as investigações vão andar com mais velocidade no Congresso nas próximas semanas.
A maior surpresa na operação contra Ciro Nogueira é que ela não gerou surpresa alguma. Há anos se sabe da relação íntima entre os dois, com Vorcaro dizendo à namorada que Ciro era “um amigo de vida”. Pelo que a Federal apurou, o senador recebia um mensalão que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do pagamento de viagens e faturas de cartão de crédito.
A Polícia Federal afirma que uma empresa ligada ao núcleo familiar de Ciro comprou por R$ 1 milhão uma participação societária que valia R$ 13 milhões de uma companhia controlada pelo Banco Master, uma vantagem explicada no inquérito por corrupção.
Presidente do PP e vice-presidente da Federação União-Progressista, a maior do Congresso com 111 deputados e 14 senadores, Nogueira é um dos rostos do bolsonarismo. Tempos atrás, se quisesse, podia impor seu nome como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro. Agora, virou a primeira peça de dominó a cair no Congresso.
Vai se livrar? – A estratégia de Flávio de livrar de Ciro Nogueira parece impossível. O senador era a “alma” do governo Jair Bolsonaro, na definição do próprio ex-presidente, e o sucesso da aliança da direita depende de um acordo com o PP. Se abandonar Ciro à própria sorte e não tiver o apoio do PP e do União Brasil, Flávio Bolsonaro terá menos tempo de propaganda em rádio e TV do que Lula. Sem contar a desconfiança que a ingratidão vai gerar em outros políticos que temem virar os próximos alvos da PF.

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