Opinião: Mulher ativa e laranja

Opinião
Virou moda prefeito eleito montar equipe reservando 50% das vagas para mulheres. No Recife, com João Campos (PSB), que toma posse amanhã num ato sem calor humano devido à pandemia do coronavírus, virou até promessa de campanha e, como tal, cumprida. Mas tem prefeita de saia distinguindo também o então chamado sexo frágil. É o caso de Rorró Maniçoba (PSB), de Floresta, que volta ao poder para o terceiro mandato.
Há muito, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, presença de mulher na vida pública ainda é matéria de natureza cara e rara. Elas têm sido, historicamente, sub-representadas nas sociedades ocidentais em comparação com os homens. Muitas, no entanto, foram eleitas politicamente para ser chefes de Estado e de Governo. Exemplos de proeminentes líderes de potências mundiais do sexo feminino podem ser Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra do Reino Unido; Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil; Indira Gandhi, ex-primeira-ministra da Índia; Golda Meir, ex-primeira-ministra de Israel; Angela Merkel, chanceler da Alemanha; Jiang Qing, ex-primeira-dama da China; Jacinda Ardern, primeira- ministra da Nova Zelândia e Eva Perón, ex-primeira-dama da Argentina, dentre outras.
Durante grande parte da História do Brasil República, as mulheres foram excluídas de qualquer participação na política, pois a elas eram negados os principais direitos políticos como, por exemplo, votar e ser votada. Somente em 1932, durante o Governo de Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito de voto e puderam se candidatar a cargos políticos.
Avançamos, é verdade, mas de forma lenta, embora gradual. Isso tem sido um grande entrave para os partidos políticos em geral a cada eleição. Provavelmente por falta de estímulos ou interesse mesmo, ainda é minúsculo o número de saias na vida pública. As últimas eleições municipais estão recheadas de improvisos e casos escabrosos de mulheres que se submeteram a algum capricho ou vantagens para preencher a cota obrigatória de 30% para mulheres nas chapas proporcionais. Tem casos em que muitas foram usadas como laranjas, com zero voto para vereadora, ou seja, não votaram nelas próprias, o que configura um escândalo.
O Brasil é um dos piores países em termos de representatividade política feminina, ocupando o terceiro lugar na América Latina em menor representação parlamentar de mulheres. No ranking, a nossa taxa é de aproximadamente 10 pontos percentuais a menos que a média global e está praticamente estabilizada desde a década de 1940. Isso indica que, além de estarmos atrás de muitos países em relação à representatividade feminina, poucos avanços têm se apresentado nas últimas décadas.
Esse cenário se observa em todas as esferas do poder do Estado. Desde as câmaras dos vereadores até o Senado Federal, essa taxa de representatividade ainda permanece muito baixa, mesmo em um cenário no qual 51% dos eleitores são mulheres.
Por: Magno Martins
























