Padre famoso nega crime
Um dos religiosos mais populares do Brasil, padre Robson de Oliveira é investigado pelo Ministério Público por desvio de doações

Investigado por suspeita de usar dinheiro de doações de fiéis para comprar uma casa na praia, fazendas e outros itens de luxo, o padre Robson de Oliveira, de 46 anos, negou que tenha cometido crime, afirmando ainda que nao possui bens em seu nome.
“Não existe nenhuma má intenção, atividade criminosa [nas negociações investigadas]. São números altos? São. Números altos me condenam? Não. Tudo que a Afipe faz é dentro da regra e da lei”, disse ele, que é um dos padres mais populares do Brasil, em entrevista ao “Fantástico, da TV Globo, no domingo (23).
A Afipe, citada pelo padre, é a Associação dos Filhos do Pai Eterno, entidade civil de Goiás que ele criou em 2004 e que vive de doações feitas pelo site, pelo telefone e, principalmente, pelo pagamento de boletos enviados pelo correio para todo o país.
O Ministério Público do estado apura suspeitas de desvio de doações dos fiéis e a compra e venda de imóveis como casas, apartamentos e fazendas em diferentes estados.
A construção da nova Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), que começou em 2012, também é uma das peças da investigação do MP goiano. O dinheiro angariado para construí-la, na verdade, teria também sido usado para comprar esses bens, além de aviões e outros ítens luxuosos.
A juíza Placidina Pires, do Tribunal de Justiça de Goiás, afirmou, em decisão obtida pelo UOL, que as investigações indicam que o Padre Robson de Oliveira usava laranjas e empresas de fachada para esconder supostos desvios de doações dos fiéis para a construção da Basílica.
Depois de criar a Afipe, o padre ainda criou mais duas. Entre 2008 e 2018, as três movimentaram 2 bilhões de reais. O Gaeco, Grupo de Combate à Corrupção do Ministério Público de Goiás, levantou todas as transações financeiras das associações nos últimos 10 anos: negociações difíceis de entender até para os investigadores.
Foram quase três anos de investigação para rastrear e entender mais de 1.200 transações de compra e venda de imóveis, além de transferências, depósitos e saques milionários.
Nesta sexta-feira (21), o MP foi para as ruas de Trindade, Goiânia e São Paulo em uma grande operação. Promotores foram até a casa do padre Robson e mais 15 endereços de pessoas físicas e empresas para cumprir mandados de busca e apreensão.
Segundo os investigadores, os valores movimentados, não só pela Afipe, mas por todos os envolvidos na investigação, podem ser maiores do que R$ 2 bilhões.
























