Petistas ‘pt’ da vida com a escolha de Ciro

 

Carlos Chagas

No PT, ninguém gostou da designação do ex-ministro Ciro Gomes para coordenar a campanha da presidente Dilma à reeleição. Os companheiros estão engolindo o sapo, não devem criar caso, sabendo que uma escolha dessas não se faria sem o aval da chefe do governo.

Levanta-se a hipótese de que Ciro, diante da vitória do segundo mandato, ocupará função essencial no novo governo a ser constituído. Possibilidade capaz de contrariar os planos do PT, de ocupar todos os espaços no próximo período administrativo. Só não perceberam os petistas o aparecimento de um novo adversário, além do PMDB.

BARRO NO VENTILADOR

Sai todo mundo mal dessa lambança da compra, pela Petrobras, de uma refinaria em Pasadena, Estados Unidos. Primeiro a Astra Oil, belga, que comprou a refinaria por 42 milhões de dólares e depois vendeu sua metade por 360 milhões à Petrobras. Depois a maior empresa brasileira, por achar que essa vigarice era um bom negócio e ter aceito que pagaria como multa mais 360 milhões, caso entrasse em litígio com os vendedores.

Nesse capítulo da novela respinga barro no então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e seu diretor internacional, Nestor Cerveró. Não se livra, também, a então presidente do Conselho de Administração e chefe da Casa Civil, hoje presidente da República, Dilma Rousseff, menos por haver aprovado a operação, mais porque agora justifica em nota oficial haver votado a favor baseada num parecer técnica e juridicamente falho e incompleto. Será que ninguém percebeu nada?

Deputados também não escapam de críticas, pois constituíram uma comissão especial para investigar o escândalo viajando para a Bélgica e a Holanda, onde funciona a Astra Oil. Vão fazer turismo, os privilegiados parlamentares escolhidos para integra o grupo. Esperam o quê da empresa? Que confesse haver passado a perna na Petrobras? Ou ter distribuído propinas para dirigentes da multinacional brasileira? Ingenuidade ou vontade de viajar?

A PRÓXIMA PESQUISA

É claro que o povão não está nem aí para refinarias ou operações esdrúxulas da Petrobras. A grande maioria dos consultados na próxima pesquisa eleitoral, se tiver de pronunciar-se a respeito, mostrará total ignorância. Mesmo assim, há quem suponha reflexos do episódio nos números a ser divulgados dentro de poucos dias. Qualquer queda nos índices de popularidade da presidente Dilma será inevitavelmente creditado à confissão feita por ela de não haver prestado atenção num parecer técnica e juridicamente falho.

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