PGE aciona CNJ e CNMP após suspensão de investigação sobre respiradores

Governador Rui Costa disse que estranhou comportamento do Ministério Público: “Só favoreceu aqueles que deram golpe no estado”

Estela Marques
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

A Procuradoria-Geral do Estado deve acionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), após a Justiça acolher recomendação do Ministério Público para suspender a investigação local sobre a compra dos respiradores pelo Consórcio Nordeste. A transação, da ordem de R$ 48 milhões, foi alvo de operação da Polícia Civil. Três pessoas foram presas no início do mês, mas já estão em liberdade.

Em entrevista à Record TV Itapoan, nesta segunda, o governador Rui Costa explicou que a consulta ao CNJ e ao CNMP é reação à estranheza que notou no comportamento do Ministério Público. “Só favoreceu aqueles que deram golpe no estado”, acrescentou.

No entendimento do governador, há um componente político que guiou a avaliação do MP. Rui também sugeriu que poderia haver uma devassa na sua vida para buscar alguma ligação entre ele e o referido golpe. O petista recomendou que “deixem” a disputa política de lado, porque ninguém vai alcançá-lo.

“Não tenho compromisso com nenhuma pessoa que fez coisa errada, não me interessa quem foi. Não tenho rabo preso com ninguém. Portanto, quero investigação, retorno do dinheiro público que foi lesado – não só a Bahia, mas outros estados. Nunca autorizei ninguém a fazer nada de errado. Não vou descansar até a conclusão disso, para que as coisas fiquem devidamente claras”, declarou.

Operação Ragnarok

A investigação que apura a compra dos respiradores pelo Consórcio Nordeste foi deflagrada em 1º de junho pela Polícia Civil da Bahia. Na ocasião, foram cumpridos três mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

O Consórcio Nordeste tentou comprar 300 respiradores da empresa Hempcare, que importaria os equipamentos da China. A dona da empresa disse em depoimento que, ao perceber que os equipamentos chineses estavam chegando com problemas, decidiu oferecer respiradores produzidos no Brasil e autorizados pela Anvisa.

A empresa que faria os equipamentos seria a Biogeoenergy. Segundo o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, os equipamentos não estavam prontos e a empresa ainda aguardava autorização da vigilância sanitária para montá-los. O dinheiro pago pelo consórcio seria utilizado para esse fim.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *