Relato de um monarca
Nasci em 27 de janeiro de 1859, em Berlim, herdeiro do trono do Império Alemão e do Reino da Prússia. Desde o primeiro sopro de vida, eu fui marcado tanto pela glória quanto pela dor: um parto difícil deixou meu braço esquerdo parcialmente paralisado. Diziam que eu deveria aceitar minhas limitações, mas eu jamais tolerei fraqueza — nem em mim, nem em minha nação.
Cresci entre militares, reis e diplomatas, ouvindo que meu destino era liderar a Alemanha. Quando meu pai, Frederico III, faleceu em 1888, eu me tornei Kaiser. Eu acreditava que a Alemanha não devia ser apenas uma potência continental — mas sim uma potência mundial. Industrializamos, modernizamos a Marinha, expandimos influência. Alguns me chamaram de ambicioso demais. Eu preferia o termo visionário.
Afastei-me de Bismarck, pois não admitia ser sombra de ninguém. Eu queria comandar meu império com minhas próprias mãos. Sei que muitos viram nisso arrogância; eu diria que era meu dever. A Europa era um tabuleiro de xadrez e eu não suportava a ideia de a Alemanha ser uma peça menor.
Chegou então 1914. O arquiduque Francisco Ferdinando caiu sob balas sérvias, e o mundo incendiou-se. Não fui eu quem puxou o gatilho, mas o destino me arrastou para a guerra. Acreditei que poderíamos vencer rapidamente, mostrar ao mundo o poder alemão. Em vez disso, vi o continente mergulhar em lama, sangue e fogo.
Eu confiei demais nos generais. Eu subestimei a tenacidade de nossos inimigos. A guerra que deveria engrandecer meu império acabou destruindo-o. O povo sofreu, e com ele minha coroa ruiu. Em 1918, fui forçado a abdicar. O Kaiser, que sonhava com glória eterna, atravessou a fronteira não como imperador, mas como exilado.
Passei meus últimos anos na Holanda, longe do trono, longe de Berlim, longe do mundo que eu mesmo ajudara a incendiar. Vi meu país se partir, vi ideologias sombrias surgirem, vi um novo conflito global se preparar… mas disso eu já não era parte.
Muitos me chamaram de tirano, outros de patriota. Eu fui, acima de tudo, um homem do meu tempo — com sonhos grandiosos demais para o mundo que herdei, e erros grandes demais para serem esquecidos.
Faleci em 4 de junho de 1941. Não tive império, nem trono, nem a glória que busquei. Mas deixei uma marca na história — como todo homem que ousa mover o destino de uma nação, para o bem ou para o mal.
Friedrich Wilhelm Viktor Albert von Preußen
Em português: Frederico Guilherme Vítor Alberto da Prússia.