Saiba quem são os três policias afastados por Paulo Câmara (PSB)

Três oficiais da Polícia Militar de Pernambuco estão entre os 16 homens afastados após a ação truculenta na repressão ao protesto pacífico realizado no sábado (29) contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Estão fora do trabalho nas ruas o tenente Tiago Carvalho da Silva e o capitão Élton Máximo de Macedo, do Batalhão de Choque, e o major Gilson Monteiro da Silva, do 13° Batalhão.

A TV Globo confirmou os nomes e os cargos dos três oficiais afastados. Os outros afastados são praças.

Um dos PMs afastados é Thiago Carvalho da Silva. Ele era o oficial de prontidão no dia 29 de maio. O tenente assinou um documento interno sobre a operação, no qual apontou que partiu do então comandante-geral da PM, coronel Vanildo Maranhão, a ordem para dispersão dos manifestantes.

O capitão Élton Máximo Macedo foi filmado no momento em que negociava com advogados de manifestantes.

Ele fez o curso para o Batalhão de Choque há cinco anos. Em 2020, recebeu certificado de curso de promotor de direitos humanos, na Academia Integrada de Defesa Social.

O major Gilson Monteiro da Silva, de acordo com o documento interno da PM, tentou negociar com manifestantes na Praça do Derby, um dos pontos da manifestação, na área central da cidade.

Truculência policial virou manchete em todo o Brasil| Foto: Arthur Souza

De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), os oficiais afastados permanecem nas unidades onde estão lotados realizando trabalhos administrativos.

A investigação em curso, feita pela Corregedoria Geral da SDS, deve apontar a participação de cada um no dia do protesto.

O inquérito que apura a ação está em fase inicial. Não houve indiciamento de nenhum dos oficiais. As investigações correm sob sigilo e o governo não informou se algum dos afastados é reincidente.

Em uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (7), o atual secretário de Defesa Social, Humberto Freire, afirmou que 12 policiais já foram ouvidos e outros depoimentos estão programados para esta semana. Ele substituiu Antônio de Pádua, que deixou o cargo na sexta (4).

O Freire também reafirmou que não houve ordem para que se atirasse nos manifestantes e justificou que a ação de dispersão pode ocorrer em determinados casos (veja vídeo acima).

A alegação, no entanto, contrariou informações contidas no documento interno da PM que cita o coronel Vanildo Maranhão, ex-comandante da PM no estado.

Ele deixou o cargo no dia 1° de junho. Em seu lugar assumiu, na sexta-feira (4), o coronel José Roberto Santana.

Exoneração do comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), coronel Vanildo Maranhão, foi anunciada na  terça (01).

Repercussão

Para a advogada do Fórum de Mulheres de Pernambuco Mariana Azevedo a ação da polícia nesse episódio não foi um caso isolado.

“Compreendemos entretanto que esse episódio não é um fato isolado, ele é apenas mais um capítulo que teve maior visibilidade da arbitrariedade e violência policial que ocorre todos os dias na periferia do Recife e também se faz presente em outras ações promovidas pelos movimentos sociais”, disse. De acordo com ela, o Fórum produziu um dossiê para contar o que aconteceu no ato.

“Depois que a violência começou, nós manifestantes, especialmente o grupo de advogados e advogada populares, tentamos dialogar com a polícia. Todas as vezes esse diálogo foi negado por parte da força policial, que justificava a sua ação dizendo que estava seguindo as ordens do Major Monteiro. Então os policiais que estavam nas ruas afirmaram para o agente de maneira reiterada que estavam seguindo as ordens”

Daniel Campelo, de 51 anos, foi atingido no olho por policiais militares durante protesto contra Bolsonaro no Recife — Foto: Hugo Muniz

O que diz a SDS

Por meio de nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) afirmou que as identidades dos policiais afastados e investigados não estão sendo divulgadas ou confirmadas, em cumprimento à Lei de Abuso de Autoridade.

Ainda segundo o governo, desde que entrou em vigor, em janeiro de 2020, essa lei “veda a identificação de pessoas que respondem a processos, seja na esfera administrativa ou criminal”.

A TV Globo tentou contato com os advogados dos oficiais afastados, mas não obteve retorno.

Um dos feridos foi o adesivador de táxis Daniel Campelo da Silva, de 51 anos – Foto: Hugo Muniz – Divulgação

Ação truculenta

A repressão violenta provocou a perda de visão em dois homens, Daniel Campelo, de 51 anos, e Jonas Correia, de 29 anos. Eles estão recebendo apoio do governo do estado.

Além disso, a vereadora Liana Cirne (PT) levou um jato de spray de pimenta no rosto. Ela e os os PMs envolvidos nessa ação prestaram depoimento nesta terça (8), no Recife.

O cantor Aforito foi preso e disse que teve medo de ficar sem ar. Um advogado levou quatro tiros de balas de borracha.

A Corregedoria da SDS também investiga a omissão de socorro a Daniel Campelo. Além disso, o Ministério Público de Pernambuco abriu um inquérito civil sobre a ação truculenta da PM.

O policial responsável pelo tiro que atingiu Jonas Correia foi afastado disciplinarmente pela Corregedoria. Entidades de direitos humanos pediram que as organizações da Nações Unidas (ONU) e dos Estados Americanos (OEA) acompanhem as investigações.

Fonte: G1

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