Por Larissa Rodrigues
A crise na Polícia Civil de Pernambuco foi agravada com a saída, ontem (7), do ex-delegado-geral Renato Márcio Rocha Leite. A exoneração, a pedido, é mais uma das dezenas de trocas de membros do alto escalão da gestão de Raquel Lyra (PSD) à frente do Estado e ocorre em meio à tensão interna na Polícia.
Na última quarta-feira (5), o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) encaminhou nota à imprensa denunciando falta de diálogo com o Governo do Estado e anunciando uma operação padrão a partir de dezembro. A categoria não descarta a possibilidade de greve entre janeiro e fevereiro de 2026.
De maneira geral, os policiais se queixam da falta de estrutura para trabalhar e da baixa valorização salarial. Argumentam que “as promessas de valorização e do chamado maior investimento da história em segurança pública se transformaram em silêncio, propaganda e maquiagem de números”.
“Em três anos de gestão, a governadora Raquel Lyra não cumpriu nenhum dos compromissos assumidos com os policiais civis. Enquanto o governo foge do diálogo, os policiais seguem pagando para trabalhar, enfrentando delegacias sem estrutura, baixos salários e ausência de condições dignas para exercer suas funções”, afirmou, em nota, o Sinpol.
Em paralelo à saída de Renato Leite, que estava à frente da Polícia Civil desde janeiro de 2024, e ao movimento dos policiais, este blog também recebeu informações sobre a suposta maquiagem nos números da taxa de resolução dos inquéritos de homicídio.
De acordo com dados levantados internamente, há inquéritos de homicídio sendo remetidos ao Ministério Público (MPPE) com a ausência de perícias importantes, inquirições determinantes, ou interrogatórios dos suspeitos, fazendo com que não sejam geradas as denúncias do MPPE.
O Ministério Público acaba devolvendo os inquéritos para complementação, ou simplesmente arquiva por falta de elementos probatórios suficientes, sem mandados de prisão contra os autores dos homicídios.
A menos de um ano das eleições, uma crise dessa na Polícia Civil de Pernambuco pode complicar muito o projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra, que enfrenta, desde já, dificuldades para receber da população mais quatro anos à frente do Estado.
Crise também no Sassepe – O MPPE precisou atuar, após o Sassepe admitir que não realiza exames essenciais para segurados do órgão. O Sassepe, plano de saúde dos servidores do Estado, está em grave crise desde que a governadora Raquel Lyra assumiu a gestão, em 2023. Apesar de várias promessas, a situação só vem piorando. Os servidores reclamam, pois pagam contribuições descontadas no contracheque e não têm atendimento. “Melhor tentar no SUS”, falam vários servidores.

Menino autista sem exame – A vítima mais recente foi uma criança de 9 anos com autismo. O Sassepe informou que não faz o exame “Processamento Auditivo Central”, essencial para a criança. Os promotores do MPPE cobraram o atendimento. Agora, o problema está na assessoria jurídica do Sassepe para um posicionamento. O MPPE cobrou resposta em 48 horas.
























