Supremo só se tornou político porque Senado e Executivo o deixaram fazer isso

Por Fernando Castilho

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Agora que o STF deu ao senador Renan Calheiros uma sobrevida para ele concluir o acerto que fez com o presidente Michel Temer para passar os projetos de interesse do Executivo antes do recesso, cabem dois dedos de conversa sobre o que aconteceu em Brasília na tarde de quarta-feira quando o STF aprovou um entendimento de que o senador alagoano pode continuar no cargo, mas não pode assumir a presidência da Republica numa eventual ausência de Michel Temer e Rodrigo Maia.

O STF só agiu dessa maneira porque o Senado e o Executivo perderam as condições fazer o que devem fazer: política. Sim, só fez isso através de um de seus ministros porque, ao longo dos últimos meses, a incompetência em se auto determinar tanto do Congresso como o Executivo abriu espaços para que o STF fosse chamado a decidir sobre uma série de querelas que não deveriam sair de suas paredes. Dito de outra forma: o STF só respondeu o que lhe foi perguntado.

O problema é que senadores, deputados e presidentes perguntaram demais. E aí os ministros responderam demais. E um dia a casa caiu com um deles mandando o presidente de um poder sair da cadeira por um despacho e o réu dizendo que não saia e pronto.

Vamos colocar uma coisa bem simples. Renan Calheiros já era. Seu destino está traçado lá mesmo no STF. Vai ser condenado e deve ser preso nos próximos anos. Os mesmos juízes que o salvaram ontem vão destruí-lo. E antes qualquer pessoa ele sabe disso. Não existe salvação para Renan.

É claro que ao cidadão comum ver Renan Calheiros ainda presidindo o Senado é uma aberração. Para o cidadão, Renan Calheiros não deveria estar apenas impedido de exercer a presidência da República ou ser destituído do cargo. Para o cidadão ele deveria ter saído preso conduzido para a superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Aliás, fotografado como Sérgio Cabral e Adriana Anselmo, no Rio de Janeiro.

Mas a pergunta é: e isso resolveria o problema criado por Marco Aurélio? Ou alguém acha que com Renan expulso da cadeira, Jorge Viana iria conseguir controlar o Senado, seus companheiros, as pressões de Lula e Dilma e manter a pauta de votações?

Então a questão não era Renan. A questão, na manhã de quarta-feira, em Brasília, era achar uma porta de emergência para o incêndio de o ministro Marco Aurélio provocou.

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É claro que, além de Gilmar Mendes os outros seis ministros (exclusive Dias Tofolli) queriam esfolar o colega Marco Aurélio por obriga-los a pagar o mico. Todos eles querem pegar Renan na primeira oportunidade e vão pega-lo. Renan terá pelo menos 10 votos contra ele em qualquer processo que cair naquela casa. E ele sabe disso.

O problema é que a fragilidade da economia brasileira provocada pelos desmandos do PT e Dilma Rousseff que resultaram na Operação Lava Jato levaram o Brasil a uma situação inusitada. A Suprema Corte é mais tietada que a maioria dos artistas do showbiz.

Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e agora Marco Aurélio são parados para fazer selfie aonde forem. Isso sem falar de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e Rodrigo Janot. Alguém sabe o nome de um ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos? Viu uma foto do mesmo tribunal na Inglaterra ou já tirou uma foto com um ministro desse mesmo tribunal na Alemanha? Claro que não! Mas no Brasil o cidadão põe esse tipo de foto no Facebook e os adiciona na categoria de amigos.

Então, o STF só se atribuiu esse protagonismo porque a classe política fragilizada pela corrupção foi abrindo mão de se auto determinar. O Executivo, pelos desmandos que praticou abriu esse mesmo espaço. O que o STF fez foi ocupar esse vazio. E quando foi levado a fazer isso teve que pagar um preço. O poder não pede espaço, ele ocupa. Como na Física, existe sempre um corpo ocupando um espaço. Não existe vazio.

Mas sempre é bom lembrar. Apesar de Renan, a vida segue. Apesar de ter que pagar esse custo de imagem (ironicamente no momento em que é mais popular perante o cidadão), o STF diferentemente dos político, ministros e presidentes tem mandato vitalício, ao menos até 70 anos.

E os senadores e deputados corruptos, no momento com foro privilegiado, e que comemoraram na noite de quarta-feira a permanência dele na cadeira do Senado, sabem que um dia eles virão lhe pegar.

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Fonte: JC

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