Terra sem lei: Arrastão e boatos assustam população em Afogados, Boa Vista e Jaboatão

Cibele e Patrícia Medeiros fecharam a loja assustados

Cibele e Patrícia Medeiros fecharam a loja assustadosFoto: Renata Coutinho/Folha de Pernambuco

Um arrastão assustou os pedestres e comerciantes em Afogados, na Zona Oeste do Recife, na tarde desta quarta-feira (14). Nas ruas do centro do Recife também houve boatos de arrastão, causando correria e fechamento apressado de lojas. Também houve registro de tumulto em Jaboatão Velho, na Região Metropolitana do Recife.

O 12º Batalhão de Polícia Militar  confirmou o arrastão em Afogados, no trecho entre a Estrada dos Remédios e o Largo da Paz. Por volta das 14h as lojas fecharam as portas repentinamente no comércio. Pouco depois chegaram equipes da Polícia Militar e do Exército.

As irmãs Cibele e Patrícia Medeiros têm uma loja de colchões no local. Elas chegaram a fechar as portas e, depois da chegada do efetivo policial, decidiram reabrir apenas metade de uma das portas.

Boa Vista
Já no centro do Recife, Um boato de arrastão assustou comerciantes e transeuntes na avenida Conde da Boa Vista por volta das 13h30 desta quarta-feira (14), nas imediações da Ponte Duarte Coelho. Com o alarde, os pedestres invadiram as lojas, que fecharam as suas portas. A reportagem da Folha de Pernambucoviu a correria, mas não o arrastão – que também não foi confirmado ainda pelas autoridades.

Tudo aconteceu rapidamente. Uma loja de revelação de fotos da avenida começou a ser invadida de repente por pessoas e as portas foram fechadas de imediato. Uma testemunha conta que viu, em meio à confusão, dois jovens correndo carregando caixas com eletrodomésticos na Rua da Concórdia, próximo à Avenida Sul.

De acordo com comerciantes e populares, por volta das 14h, um grupo de cerca de 20 jovens começou o tumulto gritando “olha o arrastão”. A partir daí começou a correria: gente correndo para dentro das lojas, comerciantes fechando as portas e caos na rua.

Os criminosos aproveitaram a correria para cometer roubos e furtos. A ambulante Amanda Carla, 21 anos, foi uma das vítimas do roubo. Ela estava perto do local do tumulto quando começaram a empurrá-la e puxaram o celular do seu bolso. “Estou com muito medo, até o comércio ficou fraco depois dessa “greve” da polícia. Esse tumulto só vai quando a polícia voltar, porque senão o clima é de guerra. Todo ano é isso”, desabafou.

O vendedor de bijuterias Luciano Neves tambem se assustou com o tumulto e reclama da insegurança. “Os ladrões estão aterrorizando o Centro do Recife, estamos trabalhando e de repente vem o tumulto. Aqui é um bairro requisitado, aí eles aproveitam, estamos à mercê dos bandidos”, disse.

O gerente de uma loja de tecidos comentou que, na hora do tumulto, vários clientes correram para seu estabelecimento. “Fechei as portas por motivos de precaução, para preservar a integridade física dos clientes e funcionários. É inacreditável você ver todo mundo correndo, é pânico total, teve até cliente que foi parar no segundo andar, onde fica o escritório da loja”, comentou, ao acrescentar que pretende fechar o comércio hoje uma hora mais cedo, às 17h.

Casa Amarela
Em Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, também houve registro de correria, confusão, furtos e assaltos. A Polícia Militar afirma que lojas fecharam as portas no início da tarde, mas não confirmam ainda atos de violência. Equipes foram enviadas ao local.

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