Thammy posa sem os seios: o que vem agora?

Vida íntima — será que isso ainda existe? E privacidade? Autopreservação? Recato? Circunspecção?

Em tempos de superexposição voluntária da própria imagem na mídia e nas redes sociais, a cautela com a intimidade está demodê.

O lema do momento é: quem não se faz ver, não existe. Milhões de pessoas registram sua biografia (verdadeira ou fake) por meio de posts no Facebook, selfies no Instagram, tweets e vídeos de poucos segundos.

Os famosos vão além. Contam detalhes do que são, vivem e fazem em revistas, jornais, sites e programas de TV especializados em celebridades dos mais variados quilates.

É o caso de Thammy Miranda. Ou Thommy, como também passou a ser chamado. O ator transexual é um dos personagens midiáticos que mais fornece conteúdo a esses veículos.

O filho de Gretchen acaba de gerar mais manchetes. Ontem, o ‘Extra’ divulgou fotos nas quais ele está de tórax nu, exibindo o resultado da remoção das mamas.

As imagens fazem parte da biografia ‘Thammy: Nadando Contra a Corrente’ (Editora BestSeller), escrita pela jornalista Marcia Zanelatto.

Na velocidade supersônica da internet, o ensaio de Thammy, feito pelo fotógrafo e apresentador do GNT Fernando Torquatto, foi um dos assuntos mais comentados da noite de sexta-feira.

Realizada em dezembro, a cirurgia do processo de transexualização foi amplamente divulgada na imprensa e gerou curiosidade crescente em relação à nova silhueta da ex-dançarina.

No Instagram, Thammy postou nos últimos meses dezenas de fotos nas quais estava sem camisa, mas sem revelar o peitoral. A criação da expectativa fazia parte do marketing do lançamento da biografia.

Agora todos já conhecem o peitoral masculino de Thammy/Thommy. Corajosamente, ele estampou a intimidade física para quem quiser ver, comentar, criticar…

Surge uma dúvida: o que vem depois disso? O que vai oferecer aos repórteres e ao público para permanecer em evidência na mídia?

Questionamento parecido pode ser feito sobre Andressa Urach. A modelo fez revelações tão íntimas na biografia recém-lançada (‘Morri Para Viver’/Editora Planeta), que fica difícil acreditar que ainda teria algo para contar em futuras entrevistas.

Mas sempre haverá o que dizer, o que mostrar. Nós, da imprensa, sempre daremos espaço e numeroso público vai consumir a ‘notícia’. Um círculo vicioso com participantes que se retroalimentam.

Não há inocentes entre os que se expõem, os que divulgam e aqueles que assistem ao show de ‘evasão’ de privacidade. Todos somos culpados.

E que venha a próxima manchete.

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