Treinador do Egito denuncia racismo e leva cartão amarelo após acionar protocolo da FIFA pela primeira vez na Copa

Por Analu Teixeira
A vitória da Argentina sobre o Egito pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 ficou em segundo plano após um episódio envolvendo o protocolo antirracismo da FIFA. Durante a partida, o técnico da seleção egípcia cruzou os braços em formato de “X”, gesto oficial criado pela entidade para denunciar casos de discriminação, e solicitou que a arbitragem interrompesse o confronto.
Apesar da sinalização, o árbitro optou por advertir o treinador com cartão amarelo, decisão que gerou repercussão nas redes sociais e levantou questionamentos sobre a aplicação do protocolo durante o Mundial.
O gesto faz parte da Iniciativa Global contra o Racismo, aprovada por unanimidade pelas 211 associações filiadas à FIFA em 2024. A sinalização permite que jogadores, integrantes das comissões técnicas e árbitros comuniquem imediatamente possíveis episódios de racismo durante as partidas.
Pelas diretrizes da entidade, o protocolo prevê três etapas. A primeira consiste na paralisação do jogo e em um anúncio oficial ao público. Caso os atos discriminatórios persistam, as equipes devem retornar aos vestiários, suspendendo temporariamente a partida. Se as ofensas continuarem após o reinício, o árbitro poderá encerrar definitivamente o confronto.
Segundo a FIFA, a iniciativa integra a política de tolerância zero contra o racismo no futebol e prevê punições disciplinares mais rígidas, programas educacionais e o acompanhamento dos casos por um Painel Antirracismo formado por ex-jogadores.
Esta foi a primeira vez que o gesto oficial foi utilizado durante uma partida de Copa do Mundo. O protocolo, no entanto, já havia sido acionado em junho de 2025, durante a Copa do Mundo de Clubes.
Na ocasião, o árbitro brasileiro Ramon Abatti Abel interrompeu o jogo entre Real Madrid e Pachuca após o zagueiro Antonio Rüdiger denunciar uma suposta ofensa racial do defensor Gustavo Cabral. Como a equipe de arbitragem não presenciou o ocorrido, o caso foi encaminhado para investigação da FIFA.
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