Universidade brasileira cria exame de sangue que fica pronto em 5 segundos

Do G1 — Uma pesquisa de doutorado realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu uma metodologia que usa inteligência artificial para facilitar a realização de exames de sangue em áreas remotas, além de reduzir os custos com a compra de equipamentos laboratoriais em municípios de baixa arrecadação.

O hemograma digital, criado pela biomédica Ana Carolina Borges Monteiro, permite a análise de hemácias, plaquetas e leucócitos, células sanguíneas que possibilitam avaliar a saúde, em apenas cinco segundos com um aparato simples. No lugar de um aparelho que chega a R$ 50 mil, basta usar smartphone, microscópio e computador.

A metodologia criada por Ana Carolina usa duas tecnologias diferentes: o processamento de imagens e a inteligência artificial. Primeiro, ela selecionou imagens em bancos de dados on-line, que são usadas como referência para o sistema, e as tratou para que seguissem um mesmo padrão. Depois, desenvolveu algoritmos que fazem o reconhecimento e a contagem das células nessas imagens.

“A parte da inteligência artificial eu usei na detecção dos leucócitos, que são as células de defesa. É uma outra metodologia, mas as duas, de certa forma, conversam entre si”, detalha. “Os leucócitos são seis tipos celulares e eles têm características morfológicas de estrutura diferentes”, explica a pesquisadora.

“Eu peguei um outro banco de imagens e montei uma inteligência em que eu entro com uma célula de leucócito e ela vai bater essa imagem com todas aquelas do banco. Assim, ela me fala qual o tipo de leucócito está na imagem e em qual quantidade”.

 

Método criado na Unicamp faz exame de sangue em 5 segundos usando smartphone e inteligência artificial — Foto: Reprodução
Método criado na Unicamp usando smartphone

Na prática, o exame funciona da seguinte maneira:

  • o profissional de saúde coleta a amostra de sangue e aplica à lâmina de microscopia, em uma técnica chamada de esfregaço sanguíneo;
  • em seguida, faz uma foto da lâmina usando o smartphone, com apoio de um microscópio;
  • a imagem é submetida ao computador (via bluetooth ou cabo), onde é feito o processamento da imagem aliado à inteligência artificial;
  • os algoritmos fazem o reconhecimento e a contagem automática dos três tipos de células (hemácias, plaquetas e leucócitos) em cinco segundos.

Durante os testes da tese de doutorado, o sistema atingiu acurácia de 90% a 100%. A expectativa da biomédica, que atualmente trabalha com pesquisa em saúde no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, é que, com o avanço do método e sua aplicação no dia a dia, esse índice gire em torno de 98%.

Durante os testes da tese de doutorado, o sistema atingiu acurácia de 90% a 100%. A expectativa da biomédica, que atualmente trabalha com pesquisa em saúde no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, é que, com o avanço do método e sua aplicação no dia a dia, esse índice gire em torno de 98%.

 

Biomédica Ana Carolina Borges Monteiro, da Unicamp — Foto: Antoninho Perri/Unicamp
Biomédica Ana Carolina Borges Monteiro, da Unicamp

O que pode ser diagnosticado com o hemograma digital?

Ana Carolina diz que o hemograma digital é capaz de oferecer com qualidade as principais análises realizadas pelo exame de sangue tradicional. Por meio da contagem das células, ele permite que o profissional reconheça anormalidades na saúde do paciente e, consequentemente, faça um diagnóstico.

Confira alguns exemplos do que essa análise pode identificar:

  • Hemácias: por meio delas é possível saber se o paciente está com anemia;
  • Plaquetas: a avaliação dessas células pode ajudar a identificar hemorragias;
  • Leucócitos: a contagem pode indicar a presença de infecções.

“O hemograma já ajuda o médico a fechar ou suspeitar do diagnóstico. Numa fase final do projeto, espero poder detectar com muito mais precisão as anemias e, quem sabe, ajudar a fazer laudos de doenças como a leucemia”, reflete.

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