Chesf inova com laser aéreo

Companhia se destaca no setor elétrico ao operar sistema de aerolevantamento para manutenção e gestão de projetos

Sistema customizado para a Chesf cria mapa virtual 3D a partir de imagens coletadas em sobrevoos, agilizando manutenção das linhas de transmissão

Encontrar novos usos para uma tecnologia já conhecida e, com essas aplicações, trazer mais eficácia, eficiência e resultados para uma organização. O conceito de inovação tem muitas interpretações, e esta tem sido empregada com regularidade pela Chesf – o Sistema de Aerolevantamento a Laser é apenas um dos exemplos mais recentes a se encaixar nessa filosofia. Para colocar a solução em prática, a empresa fez um investimento de R$ 7 milhões, entre a compra do equipamento e o treinamento da equipe no Canadá por duas semanas. Segundo Valéria Carazzai, gerente do Departamento de Geotecnologia (DEPG), “a formação dos especialistas em um curto período, para operação do sistema, só foi possível devido ao conhecimento que os mesmos já possuíam da tecnologia a ser utilizada”.

Para a gerente Valéria Carazzai, conhecimento prévio da tecnologia permitiu treinamento mais ágil da equipe da Chesf

A novidade está sob a coordenação do DEPG, para agilizar a manutenção nas linhas de transmissão, entre outros objetivos. “Dentro do setor elétrico, a Chesf é a única empresa em todo o Brasil a ter um equipamento e a fazer esse levantamento com uma equipe própria. Com esse sistema, a gente consegue mapear toda a superfície onde se encontram os ativos da Chesf. E o mapeamento é importante para manutenção, gestão e desenvolvimento de projeto de linhas de transmissão”, ressalta o engenheiro do DEPG Silas Valente.

O sistema conta com um laser scanner e quatro câmeras, instaladas em um helicóptero homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Ministério da Defesa, especificamente para este fim. Toda a solução foi desenvolvida e customizada para a Chesf pela empresa canadense Teledyne Optech.

De acordo com Silas Valente, a escolha do fornecedor foi bastante criteriosa. “Fizemos um estudo para determinar se valeria a pena adquirir esse sistema, para melhorar de fato os processos. Uma das atribuições do nosso departamento é sempre buscar novas tecnologias na área da geoinformação aplicadas à área. E a gente estuda também outras alternativas para extrair informações da superfície terrestre de modo a beneficiar nossa atuação no setor elétrico.”

A cada sobrevoo do helicóptero, os feixes de luz emitidos pelo laser e refletidos pelos alvos voltam para o equipamento, registrando uma nuvem de pontos, que darão origem ao modelo digital de superfície. Assim, toda a vegetação, corpos d’água, solo exposto, construções e benfeitorias identificadas ali – inclusive as linhas de transmissão da Chesf – são mapeados pelo sistema em três dimensões. “A nuvem de pontos é a principal fonte da informação do que a gente vai extrair. Mas há outros dados que também se agregam para resultar em diversos produtos. O sistema consegue processar todos esses dados e gerar a informação final”, detalha o engenheiro.

A customização também se estendeu à escolha do hardware. O equipamento laser foi definido com base no tipo de aeronave a ser usado e as câmeras instaladas no helicóptero são específicas para o levantamento pretendido pela Chesf. Quem opera o sistema são o piloto e um engenheiro que o acompanha na aeronave, além de um técnico de solo, atuando com um equipamento GPS, que faz o ajuste fino do posicionamento, dando mais precisão ao resultado.

Na outra ponta do trabalho estão os softwares usados na análise das informações, operados por especialistas em geoprocessamento. São programas específicos, cada um analisando um tipo de dado (as imagens registradas pelas câmeras, os pontos coletados pelo laser) ou desempenhando um tipo de função (ajuste de posicionamento, filtragem de informações, registro em banco de dados). “São vários softwares para processar toda essa massa de dados. Eles atendem a tudo que a gente pensar a respeito de utilização dos dados laser. À medida que o tempo vai passando e novidades vão surgindo, a empresa vai aperfeiçoando o software e criando mais ferramentas, atualizando o sistema”, garante Silas Valente.

Aerolevantamento é mais preciso que topografia

Duas grandes vantagens trazidas pelo aerolevantamento são a agilidade e a exatidão dos resultados, em comparação com a coleta de dados feita através da antiga topografia. “A gente precisa de um modelo digital 3D do terreno, seja para a manutenção de linhas existentes ou para fazer o projeto de novas linhas. Com o levantamento topográfico tradicional, coletam-se vários pontos ao longo do terreno, com uma equipe de campo fazendo a medição manual, e depois faz-se uma modelagem para poder projetar a linha, por exemplo. O aerolevantamento a laser coleta muito mais dados, são até 20 pontos por metro quadrado, coisa que a topografia não conseguiria”, diz o engenheiro Silas Valente.

No caso da manutenção das linhas, o aerolevantamento a laser aponta com agilidade e precisão onde estão as interferências, de modo que se houver vegetação a ser cortada naquela área, esse volume possa ser calculado com exatidão. “A gente já faz um processo muito mais preciso para o órgão ambiental – que vai autorizar o corte –, indicando quanto de vegetação a gente precisa retirar. Se for preciso fazer uma manutenção ou dar uma resposta para o Ministério Público ou para algum órgão ambiental de maneira rápida, a gente tem esse equipamento dentro de casa. É só levantar o voo e fazer o levantamento. Caso contrário, a gente teria que terceirizar, e apenas a contratação de um serviço desses leva, no mínimo, quatro meses”, assegura Valente.

Aerolevantamento a laser coleta até 20 pontos por metro quadrado, reunindo muito mais dados que topografia tradicional, aponta Silas Valente

Além da economia de tempo, a expectativa é de que haja uma redução também nos custos de manutenção. Atualmente, quando uma equipe é colocada em campo com esse objetivo, muitas vezes é necessário alugar veículos, sem deixar de lado o custo das diárias dos colaboradores – e considerando que esse trabalho é desempenhado por engenheiros, o valor empregado no custeio dos recursos humanos é alto. “Ainda não temos dados para fazer a comparação, mas pelo tempo que a equipe fica em campo, os veículos utilizados e o número de pessoas, acredito que o uso do Sistema de Aerolevantamento a Laser como ferramenta de manutenção vai tornar tudo muito mais ágil e menos custoso para a empresa”, defende Silas Valente.

Outro benefício trazido pela nova solução é o ganho de tempo na elaboração de projetos – função para a qual a tecnologia já vem sendo utilizada pela Chesf desde 2012, só que através de empresas terceirizadas. Agora, com o uso de equipamentos próprios, no caso de a companhia participar de um leilão de geração e transmissão de energia, por exemplo, ela é capaz de apresentar o projeto executivo praticamente pronto e até obter licenças ambientais preliminares, se julgar importante.

“Os dados coletados com o sistema laser seriam a base real para fazer o projeto. É um ganho muito grande com relação ao tempo e à agilidade das obras. E com as obras efetivamente em andamento, um mês que você antecipe já é um mês de receita antecipado também”, pondera.

 

Laser: demandas críticas têm prioridade

O plano do Departamento de Geotecnologia é desenvolver um calendário para o uso do Sistema de Aerolevantamento a Laser, baseado nas demandas existentes hoje na Chesf e organizado por nível de prioridade. Para isso, os resultados do levantamento-piloto, realizado em abril, serão fundamentais, no entendimento de Silas Valente. “A gente vai levantar todos os custos, prazos e procedimentos em detalhes, para efeito de comparação. Tem ainda a fase do processamento dos dados, que não temos ideia da duração. Acredito que para cada hora de voo sejam oito horas de processamento.”

Técnicos da Chesf já conheciam a tecnologia, o que permitiu umtreinamento mais ágil na empresa criadora do sistema. No alto, Silas Valente

Uma vez que todas as etapas do processo sejam estabelecidas, o aerolevantamento a laser vai ser utilizado com regularidade. “O sistema de transmissão da Chesf é muito grande; são, aproximadamente, 21 mil quilômetros de linhas. Então a gente vai atacar os pontos mais críticos primeiro”, diz o engenheiro.

A Diretoria de Operação, responsável pela manutenção dos ativos da companhia, e a Diretoria de Engenharia e Construção, que coordena os projetos desenvolvidos pela Chesf, concentram a demanda reprimida a ser atendida primeiramente pelo Sistema de Aerolevantamento a Laser. “Vamos montar o calendário de uso desses equipamentos de maneira sincronizada com ambas as diretorias e saber as prioridades, de modo que o sistema traga o maior benefício para a empresa, no menor espaço de tempo”, pontua Silas Valente. (JC)

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