CPI descobre que dono da Precisa movimentou R$ 50 milhões com indício de lavagem de dinheiro

Alessandro Vieira diz que CPI encontrou “movimentações sem lastro na realidade, compatíveis com processos de lavagem de dinheiro” nas contas do dono da Precisa, que está no centro do escândalo das vacinas

(Foto: Pedro França/Agência Senado | Reprodução)

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), um dos mais atuantes membros da CPI da Covid, afirmou à jornalista Miriam Leitão que a comissão encontrou movimentação financeira atípica no montante de R$ 50 milhões em transações entre empresas do empresário Francisco Maximiano, da Precisa, e pessoas físicas. Segundo o senador, que apesar de suplente, é um dos membros mais destacados da CPI, são “movimentações sem lastro na realidade, compatíveis com processos de lavagem de dinheiro”.

Para Vieira, a comissão já identificou uma “cadeia de comando clara”, que vai do ex-secretário executivo do Ministério da Saúde coronel Élcio Franco, o general Pazuello, e ministros Braga Netto e Ramos “e o próprio presidente da República”.

A CPI formou um grupo de juristas que vai preparar um estudo para “dar um encaixe dos fatos e a tipificação penal”, segundo o senador. O professor Miguel Reale Jr. chefia o grupo de juristas.

“Os crimes de responsabilidade devem ser encaminhados à Câmara, os crimes comuns à Procuradoria Geral da República e, eventualmente, os fatos podem ser levados ao Tribunal Penal Internacional, para avaliar o cometimento de crime contra a humanidade. É muito grave o que aconteceu no Brasil e o que ainda acontece, nessa gestão totalmente descolada daquilo que a Constituição exige, que é o respeito à vida”, disse Vieira.

Vieira acha que não há como fugir da convocação do ministro Braga Netto. “Ele fazia parte da cadeia de comando”. Mas ele reconhece que “alguns temem fazer a convocação do ministro Braga Netto por conta da posição que ele ocupa agora como ministro da Defesa. Mas ele fazia parte da coordenação da resposta brasileira à pandemia e o resultado foi desastroso. A gente precisa ouvir essas pessoas e, se for o caso, responsabilizá-las sem nenhum tipo de preocupação com a questão de farda”. E completou: “no Brasil, ainda se tem muito medo dos generais, mas quando ele ocupa um cargo civil eu não posso dar um tratamento diferenciado”.

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