Deborah Secco fala de vaidade, família e se declara a Hugo Moura: ‘Nunca me senti amada assim’

A atriz Deborah Secco é uma das protagonistas de “Salve-se quem puder” Foto: André Nicolau/Agência O Globo
Naiara Andrade

‘Será que o que você deseja para a sua vida é aquilo que realmente vai te fazer feliz?”. O questionamento central de “Salve-se quem puder”, novela de Daniel Ortiz que estreia amanhã, na Globo, na faixa das 19h, é respondido por Deborah Secco, uma de suas protagonistas, sem hesitações:

— Não tenho a menor dúvida de que a Deborah atual é muito mais feliz que a do passado. Eu nunca fui tão realizada, nunca cheguei nem perto da felicidade que sinto hoje. Todo mundo que me acompanha desde novinha sabe o quanto eu sempre quis formar uma família, ser mãe, me casar. Vivo o meu sonho de menina.

Bela, recatada e do lar? Nem tanto. Mas, aos 40 anos de idade recém-completados, a atriz que já soma 32 deles na TV se sente desconfortável quando é chamada de “furacão sensual” ou algo do tipo.

— Isso foi uma criação da mídia. Eu fiz personagens muito sexy, e as pessoas compraram essa ideia, graças a Deus, sinal de que representei direitinho. Só que eu nunca fui isso. Eu não sou uma pessoa vaidosa, não faço dieta, não passo cremes, malho muito pouco… Sou um desastre! Não me apego a essas coisas porque acho que a beleza está relacionada ao nosso grau de felicidade — explica.

Deborah Secco é uma das protagonistas na novela novela das 19h,

Deborah Secco é uma das protagonistas na novela novela das 19h, “Salve-se quem puder”

Na nova trama das sete, Deborah interpreta (adivinha?) uma atriz linda e exuberante, que chama atenção por onde passa. Alexia Máximo sonha protagonizar novelas, mas seu sugestivo sobrenome não traduz o nível de sua autoestima. Embora esbanje bom humor com bordões do tipo “Minha nossa senhora da musculação!”, “Minha nossa senhora da banda larga!” e “Meu amor, eu sou Alexia, eu sou o ‘Máximo’!”, a musa é insegura, ansiosa, impulsiva, e seus relacionamentos não vingam.

— Alexia é doida, engraçada, dramática. E tem duas compulsões: comida e homens. Isso a torna muito próxima de nós, mulheres, porque estamos sempre de olho na balança e, às vezes, estragamos nossas vidas com uns “boys” mais ou menos — analisa Deborah, que se assume uma comedora compulsiva: — Amo comer, é o que me acalma. Sempre fui viciada em doces, mas, depois que engravidei da Maria Flor (sua única filha, de 4 anos), comecei a enjoar deles. Agora, minha paixão é comida no prato: arroz, farofa, batata frita, estrogonofe, rabada, feijoada… Pão com uma manteiguinha também é um dos prazeres da vida!

O desejo irresistível por homens bonitos, contudo, ficou para trás, desde que a carioca conheceu, há cinco anos, o baiano Hugo Moura, de 29, e com ele se casou.

— Tudo é diferente. Há cumplicidade, parceria, verdade. Eu nunca tinha me sentido amada assim. Eles (os ex-namorados) se encantavam por uma Deborah que não existia. Eu tentava esconder meus defeitos, ser a mulher perfeita para agradar. Pela primeira vez, me sinto inteira, realizada num relacionamento. Tenho confiança no Hugo, e ele em mim. Sabemos o quanto é valioso o que a gente construiu. Ele sabe tudo da minha vida. Nada do que eu fiz, faço ou desejo fazer ele desconhece — declara ela, completando: — Eu não me mostrava verdadeiramente porque achava que não seria aceita. Isso foi um dilema a minha vida inteira. Agora, sou como sou e sei que meu marido me ama, independentemente dos meus acertos e erros, das coisas fáceis e das difíceis. A gente está junto em qualquer situação.

Deborah Secco e o marido Hugo Moura

Deborah Secco e o marido Hugo Moura Foto: Reprodução

Um impasse, no entanto, se dá quando o assunto é um segundo filho para o casal. Enquanto ela deseja gerar uma criança, Hugo sonha adotar.

— Eu queria muito ficar grávida de novo… Não curti tanto a minha primeira gestação, foi muito difícil. Gostaria de ter a chance de passar por isso outra vez — explica Deborah, acrescentando: — Já Hugo sempre teve esse desejo de adotar. Desde que eu o conheci, sei que essa é uma meta de vida dele. Antes de a gente se unir, eu nunca tinha pensado nisso. Agora, queria que acontecesse no nosso terceiro filho. Mas é um assunto a ser amadurecido mais para frente. Este, definitivamente, não é o momento. Estamos trabalhando muito! Se acontecer, será um acidente (risos).

Enquanto o marido dá expediente no set de “Malhação: toda forma de amar” como o professor de muay thai Daniel, a atriz já grava a segunda fase de sua personagem, agora com o nome Josimara, e o visual transformado, com um longo cabelo ruivo. É que, depois de presenciar um assassinato em Cancún, no México, e sobreviver à passagem de um furacão ao lado das amigas Luna (Juliana Paiva) e Kyra (Vitória Strada), as três precisam trocar de identidade e fugir para o Brasil sob a custódia do programa de proteção à testemunha.

— Estamos gravando seis dias por semana, 11 horas por dia, e decorando texto, em casa, por mais umas cinco horas. A vida está uma gincana! — enumera

Longe do trabalho, a prioridade, claro, é Maria Flor:

— Tanto eu quanto Hugo fazemos tudo para estar o máximo de tempo possível com ela. Minha mãe mora no meu condomínio, então, está sempre perto, ajudando.

A menina, que já adora assistir ao trabalho do pai em “Malhação”, agora vai se divertir com as cenas da mãe em “Salve-se quem puder”: entre outras loucuras, Alexia/Josimara vai conversar com uma galinha de verdade, chamada Filipa.

— Essa é a parte mais difícil. Filipa é estrela. Às vezes, fala; às vezes, não. Tem o tempo particular dela — brinca Deborah: — É muito divertida essa relação. Elas conversam por horas: Alexia escuta Filipa, Filipa “conta coisas” para Alexia. E Alexia acredita mesmo naquele cacarejo: “Não fala isso, Filipa! Não me joga essa praga!” (risos). Eu, Deborah, sempre fui lúdica, fantasiosa. Criava personagens e brincava de ser eles antes mesmo de começar a atuar. Agora, Maria vai poder acompanhar essa brincadeira pela TV. Ela já está me chamando de Valente (princesa da Disney). Disse que não pareço a Ariel (de “A Pequena Sereia”) porque ela tem cabelo vermelho, e não ruivo. Acho que minha filha vai ser tinturista… Ela distingue todos os tons de cabelo (risos).

Tal visual não é novidade para Deborah. A atriz já havia ostentado longas madeixas cor de fogo na série “Decamerão — A comédia do sexo”, em 2009. Mas ela assume, sincera, que não é o que mais a agrada, particularmente:

— Confesso que prefiro cabelo curto, principalmente no verão. A cor eu adoro, mas o megahair está sendo difícil carregar.

Se precisasse mudar imagem e identidade, como sua nova personagem, a artista tem em mente como se apresentaria:

— Eu rasparia o cabelo com máquina 4, como Xuxa, e continuaria com ele castanho, para não ter trabalho. Adotaria o nome Maria, que é o que mais amo. E levaria uma vida itinerante, viajando pelo mundo com a família numa van. Tenho muita vontade de viver sem planejamentos, sair do controle…

Deborah Secco de cabelos curtos
Deborah Secco de cabelos curtos Foto: Reprodução

O maior desafio do momento, afirma, tem sido cantar e dançar em cena. Pela primeira vez, Deborah vai soltar a voz na TV.

— Gravei cantando ao vivo, nunca tinha feito algo assim. Digo que sempre quis ser cantora, mas a voz não ajudou — entrega a atriz, que tomou Claudia Raia como inspiração para o papel: — Sou apaixonada pela bailarina desengonçada que ela fez em “Rainha da Sucata” (1990). Estou tentando chegar naquele lugar, mas sei que ainda falta muito. Claudia é diva!

É nela e em mulheres como Adriana Esteves, Patricia Pillar, Fernanda Montenegro, Renata Sorrah, Letícia Colin, Leandra Leal, Camila Pitanga e Taís Araujo, para citar só algumas, que Deborah pensa quando escuta que é “o máximo”, como Alexia.

— As pessoas falam: “Ah, você é muito legal, muito educada”. Trabalhar a empatia é o mínimo que alguém pode fazer nos dias de hoje, né? A vida está tão difícil, que tento pelo menos não ser desagradável, não atrapalhar quem cruza o meu caminho. Não me vejo merecedora de tantos elogios — argumenta: — Está na moda levantar bandeiras. Eu não me sinto apta, não sou estudiosa de nada. Cheguei numa fase em que mais valorizo aprender do que ensinar, ouvir do que falar. Estou sempre jogando o “máximo” para os outros.

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