Eólica: aposta com futuro

Fonte é a segunda na matriz energética do País e se expande a passos largos no NE. Custos de geração caíram e plantas geram renda extra aos donos dos terrenos

Os aerogeradores que cada vez mais emolduram paisagens do Nordeste são o ponto focal dentro do sistema eólico de geração de energia.

No último dia 26 de agosto, o Nordeste bateu um recorde. Nessa data, 89% da energia consumida na região vieram de fontes eólicas. Considerando que esse tipo de energia é a vice-líder da matriz energética nacional, com 9% de participação, o dado aponta a importância que os ventos têm conquistado na produção elétrica nordestina. E a Chesf, como não poderia deixar de ser, é um agente muito importante desse cenário.

Os aerogeradores que cada vez mais emolduram paisagens do Nordeste são o ponto focal dentro do sistema eólico de geração de energia. A força do vento movimenta as hélices, que estão acopladas a um eixo com um gerador. O movimento circular das pás faz com que o eixo movimente o gerador, ocorrendo a partir daí a geração de energia elétrica.

De maneira similar à energia solar, que também parte de uma fonte inesgotável, a geração eólica se origina nos ventos, que são sazonais. No caso do Nordeste, o segundo semestre oferece os melhores ventos para a geração de energia.

“Esse é um muito detalhe importante. Na época em que se tem pouca chuva, no período entre os meses de junho e novembro, temos fortes ventos. Então se gera pouca energia hidrelétrica, mas muita energia eólica. Elas se complementam ao longo do ano, dando essa característica muito importante ao processo de geração de energia no Nordeste”, contextualiza o diretor de Engenharia da Chesf, Roberto Pordeus.

Entre junho e novembro, força dos ventos favorece a energia eólica, complementando processo de geração nordestino

Outra característica da produção eólica é o fato de os aerogeradores poderem ser colocados em vários locais, conforme a medição dos ventos, permitindo uma geração descentralizada. As plantas podem ser construídas em um tempo relativamente curto e elas ainda se transformam em uma boa fonte de renda para donos de propriedades.

“É comum você arrendar o terreno para colocar os aerogeradores. Então você gera energia naquela região e também renda financeira para o proprietário do terreno. Além disso, ele praticamente preserva toda a sua propriedade para outros usos, como a agropecuária, por exemplo. Diferente da energia hidrelétrica, que exige toda uma estruturação em torno da usina, na planta eólica, os aerogeradores são colocados em propriedades e o dia a dia da propriedade permanece praticamente inalterado, além do dono receber um percentual daquela geração”, sintetiza o superintendente da Engenharia de Geração da Chesf, Douglas da Nóbrega.

APOIOS E PROJETOS

Já faz 23 anos que a Chesf implementou sua primeira planta eólica, no Ceará, numa parceria com o governo cearense e a Coelce, a antiga Companhia Energética do Ceará. Os investimentos consistentes nessa fonte de energia, porém, só vieram a partir de 2010, por meio de parcerias com a iniciativa privada.

Foram cerca de 1.000 MW de capacidade instalada e investimentos de R$ 1 bilhão em 42 parques eólicos localizados em Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte – ativos dos quais a empresa se desfez em 2018, por decisão corporativa.

Atualmente, a companhia mantém dois parques eólicos em operação (Casa Nova 2 e 3, na Bahia), que demandaram cerca de R$ 275 milhões de investimento, com recursos 100% da Chesf. “Além disso, Casa Nova 1 está sendo retomado, com novo fornecedor, e ainda estão em construção mais três parques eólicos no sudoeste da Bahia, no município de Pindaí, que deverão entrar em operação ainda este ano. Serão 110 MW de capacidade instalada e um investimento da ordem de R$ 800 milhões”, enumera Roberto Pordeus.

A médio e longo prazos, a empresa também desenvolve outros vários projetos de energia solar e de energia eólica para ampliar a capacidade instalada dessas fontes de geração no Nordeste, com investimentos que alcançam R$ 3 bilhões. Os parques eólicos serão instalados nos Estados de Pernambuco, Paraíba e no Rio Grande do Norte.

RECURSOS

Tantas cifras que se somam e se transformam em investimentos exigem um planejamento cuidadoso por parte da companhia. Na base estão duas fontes de recursos: a lei 9991/2000, que obriga a aplicação de parte da receita em pesquisa e desenvolvimento (P&D), e os projetos em parceria.

A lei 9991/2000 é uma legislação específica, voltada para empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor elétrico. “A Chesf direciona 1% de sua receita para projetos de P&D e aí entram o Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina e a Usina Flutuante de Sobradinho, por exemplo. A fonte de recursos é esse 1% da receita, que é obrigatório e desenvolve projetos importantes para a região, principalmente em busca de uma maior eficiência energética”, explica Roberto Pordeus.

Já os empreendimentos em parceria normalmente têm uma parte de capital próprio, em torno de 30%, com os 70% restantes sendo fruto de financiamento, principalmente obtidos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Nordeste (BNB).

Todos esses investimentos seguem o Plano Diretor de Negócios e Gestão da Eletrobras, que traz as linhas-guia para os investimentos da holding. “Todos os nossos investimentos estão alinhados às diretrizes gerais da holding. Cada novo projeto, a gente submete no tempo adequado para poder obter a aprovação”, completa Pordeus.

 

SUSTENTABILIDADE

O avanço da energia éolica no Brasil é patente, com essa fonte ocupando o segundo lugar na matriz energética, em um espaço de tempo relativamente curto. “A geração eólica responde por 9% do total, numa taxa de crescimento significativa. Ainda vai demorar a ser a primeira por conta dos projetos estruturadores da região Norte, as usinas de Belo Monte e de Jirau. Mas a diversificação é importante e deixa o sistema mais seguro para todos”, afirma Roberto Pordeus.

Já faz 23 anos que a Chesf implementou sua primeira planta eólica em Fortaleza. Hoje, a companhia mantém dois parques na Bahia, resultado de R$ 275 milhões de investimentos, 100% da empresa

Além da segurança do sistema, políticas de sustentabilidade e de preservação do meio ambiente também são critérios para as pesquisas que buscam alternativas energéticas mais eficazes. “Para se ter uma ideia, o leilão do parque de Casa Nova 1 foi vencido no ano de 2010. Por questões de fornecimento, as obras chegaram a ser paralisadas, mas ao se vencer um leilão em 2010, conte aí pelo menos cinco ou dez anos de estudo e pesquisa. Não é uma coisa que começou ontem, o interesse da Chesf nisso já tem muito tempo”, afirma Douglas da Nóbrega.

A riqueza hídrica do Brasil, que colocou o País entre os maiores produtores mundiais de energia hidrelétrica, garante a essa fonte o primeiro lugar na matriz energética nacional, com 60% de participação. No entanto, apesar de ainda haver alternativas de construção e novas usinas, essa opção está sendo reduzida devido aos impactos desses empreendimentos.

Juntando a isso a alta utilização da estrutura hidrelétrica já disponível, é essencial o aproveitamento de outras fontes. “A curto e médio prazos, com certeza, os investimentos serão para as fontes de energia eólica e energia solar. A fonte térmica é segura, no entanto, é mais cara, sendo geralmente utilizada em ações emergenciais. Então para complementar o sistema, basicamente, as principais fontes são a eólica e a solar”, assegura o superintendente da Engenharia. (JC)

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