Fuga de presos: brasileiros no Paraguai relatam preocupação

Estudantes que moram em Pedro Juan Caballero afirmam que se trata da primeira fuga em massa, mas consideram cidade segura.

Sacos de areia encontrados em cela, após fuga de integrantes do PCC no Paraguai – Reprodução

Por Ludmila Honorato, do Estadão

Brasileiros que estudam em Pedro Juan Caballero consideram a cidade que faz fronteira com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, tranquila. Essa rotina de aparente calmaria, porém, foi interrompida neste domingo, 19, com a fuga de 75 presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) da Penitenciária Regional.

Embora o presídio fique distante do centro, eles relatam que a população tem medo de que residências sejam invadidas. Morando no Paraguai há quatro ou cinco anos, os jovens vivenciaram hoje a primeira fuga em massa de presos e a maioria fala à reportagem do Estado sob anonimato com receio dos desdobramentos do caso.

Esses estudantes integram um grupo de pelo menos 12 mil pessoas que saíram do Brasil para cursar Medicina no país vizinho. O movimento transformou Pedro Juan Caballero nos últimos dois anos.

“Por enquanto, está tudo normal, mas a população está com medo de invasão nas residências ou assaltos. Geralmente, quem faz isso aqui são essas pessoas que estavam presas, porque na cidade não tem assalto nem nada, é seguro. Mas agora que estão soltos, fica a insegurança”, conta uma estudante de 21 anos que há quatro mora na cidade. Ainda assim, ela saiu de casa na tarde deste domingo para ir ao centro do município.

O policiamento foi reforçado e a estudante conta que havia muitas viaturas policiais na região. Outro estudante brasileiro relatou que poucas pessoas estavam nas ruas da cidade na tarde deste domingo. “Mas muitas não têm medo, a cidade é muito segura e dificilmente acontece algo com quem não tem envolvimento com tráfico”, afirma.

A interna do curso de Medicina Lilian Batista de Oliveira, de 25 anos, reforça que, no geral, Pedro Juan é uma cidade bem tranquila e só se torna perigosa para quem “se envolve com coisa errada”. “Eu nunca vejo [essas situações] afetarem de maneira direta. Quando acontece alguma coisa na fronteira, a gente fica com medo, mas nunca vi algo diretamente”, diz. Ela conta que mora há cinco anos no município sem ter tido qualquer problema relacionado à segurança local. “No meu apartamento não tem garagem, meu carro ficou na rua durante cinco anos e nunca tocaram nele.”

Do lado brasileiro da fronteira, o medo também existe diante desse cenário, segundo conta a estudante Vanessa Sibely, de 21 anos. “A população fica assustada, sim, mas não é muito comum acontecer coisas desse tipo que tenha grandes mobilizações”, diz. Ela mora na divisa dos países há quase cinco anos e afirma nunca ter passado por uma situação de perigo. “Evito sair muito à noite, não vou dizer que a cidade não tem seus perigos, mas me sinto segura onde moro. Ao sair, seja para onde for, sempre tento ser cuidadosa.”

De férias com a família no Brasil, um estudante de 26 anos que cursa Medicina em Pedro Juan Caballero relata que, para ele, o cenário quase não afeta a rotina acadêmica. “Mas para a população que convive com isso diariamente, assusta por aumentar o número de crimes devido à disputa entre facções pela fronteira. Mas ficamos preocupados, sim, porque é um grande número de fugitivos e, como sabemos que é uma área muito disputada, os riscos aumentam”, conta.

No dia a dia, ele afirma que, apesar de toda a segurança da cidade, prefere se reunir com os amigos em casa. “Assim temos controle e segurança em saber quem frequenta nossa casa e não nos causará problemas.”

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