Globo diz que reunião ministerial demonstra miséria moral e falta de preocupação com pandemia

(Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O jornalista Merval Pereira diz que a reunião foi uma “vergonha nacional”.

“Todo mundo sabe que o presidente Bolsonaro interveio na Polícia Federal, e é preciso ser um nefelibata para acreditar que essa intervenção não tinha intenções não republicanas. Mas, como tudo na vida, depende de quem quer ver e escutar. Agora, é a vez do atual procurador-geral, Augusto Aras, querer ou não ver e ouvir.

Se, como tudo indica, ele decidir arquivar o processo, sem oferecer a denúncia, estará fazendo como o centrão, que provavelmente protegerá Bolsonaro como protegeu Temer, em troca de cargos no governo. Fechando os olhos para as evidências, sem se esforçar para juntar dois mais dois”, arremata.

Por sua vez, o colunista Ascânio Seleme assinala que a nação “assistiu estarrecida ao vídeo da fatídica reunião ministerial que culminou na demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro. Foi um festival de barbaridades e palavrões capaz de fazer corar até mesmo Celsinho da Vila Vintém. Tão grave quanto a reunião, ou até mais, foi a nota do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, que ameaçou o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, e de resto todo o país, numa defesa despropositada do presidente Jair Bolsonaro. Foi a declaração mais acintosamente antidemocrática de um general desde o fim da ditadura, há 35 anos”.

Míriam Leitão afirma que o Brasil está “à deriva no meio da tragédia”

“O mais espantoso na reunião é o conjunto”, enfatiza a jornalista. “São duas horas repletas de palavrões e delírios, de escárnio e desrespeito com o país. O Brasil atravessando a sua pior crise em décadas, e em nenhum momento o presidente fala da pandemia como um problema que o preocupasse. Essa ausência choca. Suas falas coléricas são concentradas na defesa da sua família e dos amigos, no insulto aos adversários políticos, e em ordens para que os ministros defendam o governo. E sim, ele claramente quis interferir na Polícia Federal e disse que tem um sistema particular de informação. Na breve fala do ministro Nelson Teich, ele disse ‘a gente não é um barco à deriva’. Engano. Aquela reunião prova que o Brasil não tem governo, está à deriva no meio de uma tragédia”.

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