Greve dos Bancários afeta comércio de Juazeiro

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Itamara Costa – Ação Popular

A queda de braço entre bancários e banqueiros parece que ainda não chegou ao fim. A greve dos bancos, iniciada há mais de dez dias, já afeta o comércio e a rotina da cidade de Juazeiro.

De um lado os bancários reivindicam reajuste salarial de 11,93%, ampliação das contratações, mais segurança nas agências, fim das metas abusivas e assédio moral. Do outro, os patrões ainda não convocou a categoria para negociar, e nesse meio estão os comerciantes que perdem com o pouco movimento no comércio.

Juvenal Gonçalves, gerente de uma loja de confecções, no Centro de Juazeiro, explica que com a paralisação dos bancos, tem pouco dinheiro circulando no mercado e o comércio já sente com a queda nas vendas.  “A greve só tende a prejudicar os comerciantes, o sistema financeiro fica parado e o dinheiro deixa de circular no comércio, e as pessoas param de comprar”, informou.

O gerente alerta também para outros problemas, pois algumas movimentações bancárias estão suspensas e dependem do funcionamento das agências. “A movimentação com cheque está suspensa, não conseguimos realizar alguns pagamentos e nem depositar os cheques que recebemos dos clientes, porque depende do funcionamento interno. E se acontecer algum problema com o cheque? Não tem como resolver até a greve terminar”, disse o gerente.

O Presidente da CDL de Juazeiro, Erivaldo Oliveira Souza conta que a diminuição do movimento no comércio é perceptível, consequência da alteração na rotina da cidade, e dos distritos ao redor da sede. “As ruas estão vazias, temos uma rotina de famílias que moram nos distritos e vêm até o Centro toda semana para realizar pagamentos, aproveitam e fazem suas compras e, geralmente pagam em dinheiro, e com a greve eles deixam de vir à cidade, resultando na queda das vendas”.

Quem também sente com a falta de pessoas nas ruas de Juazeiro é o empresário do ramo de brinquedos, Ricardo Valverde, “os caixas eletrônicos suprem algumas das nossas necessidades, mas o fluxo de pessoas nas ruas é bom para o vendedor do cafezinho, para os restaurantes, e para o comércio”, lembra.

O empresário ressalta também que as empresas não conseguem pagar boletos com valores acima dos permitidos nos caixas eletrônicos ou nos correspondentes bancários. “Essas transações dependem da interação com as agências, e o pagamento dos funcionários que não possuem conta corrente também, precisamos da agência para resolver essas operações”, informa.

Os clientes também começam a sentir as consequências da greve com a impossibilidade de realizar algumas operações bancárias, como informa a estudante de Serviço Social, Vera Lúcia e Silva que não conseguiu concretizar um depósito bancários em duas agências da qual é cliente. “Cheguei numa agência e não tinha envelope para depositar um cheque que recebi como pagamento, fui em outra e também não tinha os envelopes. Vou ficar com o cheque parado, pois os bancos não estão compensando”, contou.

Segundo o presidente do CDL a falta de segurança nos correspondentes bancários e nas lotéricas também é um agravante da greve. O presidente informou que na última semana, um correspondente bancário que fica no Centro da cidade, foi assaltado. “Sabemos que todos têm direito a reivindicar, a greve está causando transtornos para a sociedade, há uma falta de segurança quando lotamos os correspondentes. Precisamos pagar nossos compromissos, parece que a greve não está surtindo efeito, pois os banqueiros continuam ganhando”, expôs.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) divulgou na última sexta-feira (27) que 10.633 agências bancárias e centros administrativos foram fechados no país. Na Bahia, 820 agências foram fechadas, segundo o Sindicato dos Bancários. Sem data para acabar, o Sindicato dos Bancários convocou uma nova assembleia para está segunda-feira (30/09), às 18h30, no Ginásio de Esporte, Ladeira dos Aflitos, em Salvador.

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