Ô, Bolsonaro! Vem aprender a fazer ‘nova política’ com Rui Costa

Por Fernando Duarte

Ô, Bolsonaro! Vem aprender a fazer 'nova política' com Rui Costa

Foto: Manu Dias/GOVBA

A “nova política” pregada por Jair Bolsonaro pode ser percebida na Bahia há pelo menos cinco anos. Não na crítica vazia aos integrantes da classe, como se prega muito por aí. Essa pseudo-bandeira aparece na forma como o governador Rui Costa trata uma parcela expressiva da base aliada. O morador do Palácio de Ondina até pode ouvir o que os partidos e líderes dizem, mas o que importa é o que ele pensa e isso não vai mudar.

Se no primeiro mandato a postura pouco maleável de Rui ficou apenas implícita em comentários de aliados, a partir da construção do segundo governo ficou explícito que o governador é adepto de uma política menos… política. Aqui é importante frisar que não há juízo de valor sobre como o petista atua. Apenas a constatação de que o desenho da máquina pode até conter indicações, porém é possível dizer não e continuar contando com os votos da base aliada quando necessário.

Vejamos o caso do ex-deputado estadual Luiz Augusto. Depois de perder a reeleição, o parlamentar esperava – junto com o partido – ser aproveitado em alguma função no governo. De novembro até agora, o nome dele foi de secretário a superintendente, passando pelos mais diversos postos especulados pela imprensa. No entanto, Luiz Augusto ainda não está em um cargo de indicação de Rui.

Outros duas funções-chave também estão indefinidas, mesmo que o governo tenha começado há mais de três meses: as chefias do Detran e da Embasa. O Podemos, que atualmente controla o departamento de trânsito, ainda tenta manter a posição. O Progressistas até tentou a companhia de saneamento, mas já desistiu. Como os interesses de outras legendas impedem que se bata o martelo, Rui, para evitar rusgas, avisou que os indicados serão da cota pessoal.

Da cota pessoal, inclusive, vem o nome de uma importante pasta reivindicada pelo PT. Mesmo que tenha ligação umbilical com a sigla, o secretário de Educação, Jerônimo Rodrigues, é tratado como uma opção particular de Rui, frente às batalhas nos bastidores para emplacar o titular em um dos maiores orçamentos da máquina estadual. Falando em recursos, as três principais pastas, Educação, Saúde e Segurança Pública, não passaram pelo crivo partidário. O governador bateu o pé e escolheu ao seu bel prazer – poder discricionário dele, mas pouco utilizado por muitos gestores Brasil afora.

Mesmo que dê de ombros a muitos pleitos de partidos, Rui até agora não teve nenhuma derrota expressiva na Assembleia Legislativa da Bahia e nenhum partido se insurgiu para criticar publicamente o “jeitão” dele governar. Ninguém é louco de comprar briga com a certeza de que sairá perdendo.

Preferindo anonimato por razões óbvias, um deputado estadual explicou de maneira clara como fazer “nova política”. Basta pedir uma aula a Rui e Bolsonaro sairá governando com um rolo compressor tão suave que nem os adversários vão perceber… (BN)

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