CREMEPE vai apurar denuncia de descaso no Hospital Traumas
Ação Popular
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco – Cremepe, Sílvio Rodrigues, durante entrevista coletiva realizada ontem (16), em Petrolina, falou sobre a situação do Hospital Universitário – HUT. Sílvio disse que já existia uma fiscalização agendada para a unidade, a pedido do Ministério Público Federal para uma reavaliação do HUT e devido a situação ocorrida durante o final de semana, a presença do Cremepe foi antecipada. Segundo ele, na visita foi constatado a falta de plantonistas no fim de semana e a comprovação de que as portas da unidade foram realmente fechadas.
“Do sábado para o domingo, o plantão estava com apenas dois clínicos, não tinha nenhum cirurgião no plantão e não tinha anestesista de plantão. Existiu a situação de fechamento do portão. Isso é fato, aconteceu. Existiu uma situação de restrição da unidade. O profissional médico de plantão pode restringir o plantão se notar que existe uma sobrecarga, aumentando muito a sua capacidade de atuar. Mas, restrição não é deixar de atender, é avaliar e atender os pacientes que estão com risco de morte”, disse Sílvio.
Ele informou que para apurar o que de fato ocorreu, uma sindicância será instaurada. “Nós falamos com a direção do hospital, fiscalizamos toda a emergência, pegamos toda as escalas de plantão de como estava a situação. Nós pegamos a escala de plantão daquele dia, pegamos a situação do que aconteceu naquele dia com os plantonistas, vendo quem estava, quem precisou se ausentar por algum motivo. Pelo que foi conversado, já tenho minha opinião, mas a partir do momento que abrimos sindicância, segue em sigilo. O Conselho que irá apurar”, destacou Rodrigues.
Já para tentar regularizar o número de profissionais contratados, o Cremepe pretende entrar com uma ação civil contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares -EBSERH, que gerencia a unidade. “Vamos pedir que adeque o número de especialidades suficientes para suprir essa situação vivenciada pelo Hospital Universitário. A fiscalização vai servir para isso também, para instrumentalizar uma ação civil com pedido de liminar para que se chame um quantitativo suficiente de especialidades, através da justiça”.
Por outro lado, ele disse que não há possibilidade de haver uma interdição ética na unidade. “Dentro da urgência que vive o hospital a gente não pode pensar nesse momento em pedir uma interdição. A gente tem que ir pelo caminho inverso. Tem que exigir que o Governo Federal, a EBSERH, que supra de forma suficiente o número de profissionais daquela unidade. A justiça vai dar 48 horas para que a empresa se manifeste. Notificamos inicialmente a gestão e avisamos que vamos entrar com a ação e paralelo a isso vamos instrumentalizar o Ministério Público Federal para conseguir essas medidas.
De acordo com o presidente do Cremepe, nas sextas e sábados não tem plantonista noturno e no domingo e na segunda no plantão diurno a situação é a mesma, onde o hospital funciona sem nenhum anestesista de plantão. “Na nossa avaliação deveria existir no mínimo dois ou três anestesistas por plantão da unidade. As outras especialidades estão mais ou menos cobertas, apesar do Conselho achar que o número de dois clínicos por plantão é inferior a necessidade. Deveríamos ter de três a quatro porque tem que dar suporte a toda a sala vermelha e a sala amarela”, concluiu Sílvio.


























