Suposto toque de recolher é fake news e alvo de investigação da Polícia Civil de Pernambuco

O aviso, que circulou pelas redes sociais, endereçava diversas comunidades da Região Metropolitana e era assina por facção

Um suposto toque de recolher atribuído ao crime organizado e propagado nas redes sociais é alvo de investigação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (7), autoridades das forças de segurança afirmaram que a mensagem é falsa e reforçaram que a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) intensificou o policiamento nas áreas citadas.

O informe, supostamente assinado pelo Comando Vermelho — uma das principais facções criminosas do país — foi direcionado a bairros e comunidades da Região Metropolitana do Recife.

São: Saramandaia, Campo Grande, Chié, Campina do Barreto, Cajueiro, Peixinho, Marezão, Ponte Preta e Ilha do Maruim.

A mensagem afirma que seria “proibido circular” entre as 22h da segunda-feira (6) e as 5h desta terça-feira (7). No rodapé, traz ameaças como “evite problemas”, “proteja sua vida e da sua família”, “sujeito às consequências” e “a comunidade apoia o aviso”.

A polícia investiga ameaça

O diretor da Diretoria Integrada Especializada (DIRESP) da Polícia Civil, Ivaldo Pereira, afirmou que a mensagem não tem qualquer validade e está sendo investigada.

“Estamos muito atentos. Não é a primeira vez que esse tipo de mensagem circula. Nós estamos muito atentos na investigação dessas organizações criminosas. A gente vem reforçando os pontos mais críticos aqui do estado de Pernambuco”, assegurou.

Segundo Pereira, o caso está sendo tratado como crime de ameaça e, mesmo tendo origem no ambiente virtual, a Polícia Civil tem condições de identificar os responsáveis.

“Tudo o que se passa na internet deixa rastros. A gente já vem direcionando ações desde a outra divulgação de fake news. É preciso avaliar caso a caso: existem pessoas que compartilham como forma de alerta e não têm o dolo de cometer nenhum crime, mas há outras que estão se aproveitando desse tipo de ação. Essas pessoas podem responder até por participação em organização criminosa, caso tenham ligação com o crime organizado. Se não tiverem, podem ser responsabilizadas pelo crime de ameaça”, explicou.

O diretor da DIRESP também orientou a população a não compartilhar esse tipo de conteúdo.

“É importante que a população evite divulgar esse tipo de informação. Isso fortalece pessoas mal-intencionadas que procuram obter alguma vantagem com esse tipo de mensagem. [É necessário] buscar confirmar com veículos de comunicação que tenham credibilidade e confiar nas forças de segurança.”

Diretor de Planejamento da PMPE, Jonas Moreno //  Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.

Segurança reforçada
O diretor de Planejamento da PMPE, Jonas Moreno, afirmou que os bairros mencionados na mensagem falsa receberam reforço no policiamento.

“Nós reforçamos o policiamento para transmitir uma maior tranquilidade para a população. Nessa área citada pela fake news, no primeiro semestre do ano, tivemos uma redução de 57% nos homicídios. A polícia está atenta”, declarou.

Moreno também afirmou que, assim que a corporação tomou conhecimento da mensagem, equipes foram mobilizadas para a região.

“Imediatamente direcionamos o GAT (Grupo de Ações Táticas) para a região da Campina do Barreto, Arruda, Campo Grande… Na mesma área temos uma guarnição de oficiais. Também reforçamos o policiamento com mais seis motocicletas na Saramandaia, no canal da Avenida Dr. José dos Anjos, além do efetivo que já atua na região”, detalhou.

Orientação à população
As polícias Militar e Civil orientam a população a não compartilhar mensagens de origem duvidosa e a buscar confirmação apenas em canais oficiais e veículos de comunicação confiáveis. Em casos de emergência ou de informações sobre crimes, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190, disponível 24 horas por dia.

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