Conheça os cinco “homens fortes” que cercam o vice-presidente Michel Temer

Leandro Prazeres

  • Homens fortes de Temer, da esq. para a dir.: Padilha, Jucá, Geddel, Henrique e Moreira Franco

    Homens fortes de Temer, da esq. para a dir.: Padilha, Jucá, Geddel, Henrique e Moreira Franco

A possibilidade de que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) possa assumir a cadeira hoje ocupada pela presidente Dilma Rousseff (PT) vem aumentando, assim como a curiosidade sobre o peemedebista e as pessoas que o cercam. Discreto e tido como “reservado”, Temer é a principal liderança do PMDB, maior partido do Congresso Nacional.

Hoje, os homens apontados como os mais próximos de Temer são Eliseu Padilha (RS), Henrique Eduardo Alves (RN), Moreira Franco (RJ), Geddel Vieira Lima (BA) e Romero Jucá (RR).

Além da proximidade com o vice-presidente, os cinco têm em comum o fato de já terem ocupado cargos importantes em administrações petistas. Os quatro primeiros foram ministros durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Dilma. Jucá, por sua vez, foi líder do governo no Senado tanto nas gestões de Lula quanto de Dilma.

Agora, os cinco atuam na defesa de Temer contra os ataques do PT e, tanto nos bastidores quanto sob os holofotes, na construção de um possível “governo Temer”, que começaria ainda em 2016 caso o impeachment da presidente Dilma seja aprovado na Câmara e no Senado. O vice-presidente nega que já esteja articulando um novo governo.

Geddel Vieira Lima, o articulador

Geddel Vieira Lima é filiado ao PMDB da Bahia desde 1990. Foi deputado federal por cinco mandatos consecutivos e contemporâneo de Temer na Câmara dos Deputados. Geddel foi um dos integrantes do PMDB mais críticos em relação à aproximação entre o PMDB e o PT quando Lula assumiu seu primeiro mandato, em 2003.

Divulgação

Geddel Vieira Lima, do PMDB da Bahia

Mesmo assim, ele foi nomeado ministro da Integração Nacional em 2007, com o aval do PMDB da Câmara dos Deputados, à época, liderado por outro homem de confiança de Temer, Henrique Eduardo Alves. Em 2010, suas críticas ao PT ganharam mais força quando ele perdeu a disputa ao governo da Bahia para Jaques Wagner (PT).

Em 2014, Geddel foi candidato a uma vaga no Senado, mas perdeu para Otto Alencar (PSD-BA), que contou com o apoio do PT. Por pessoas próximas, ele é considerado um “articulador combativo” e um dos únicos capazes de discordar, publicamente, de Temer. “Ele é o único que tem coragem de dizer, na cara de Temer, que ele está errado. Já fez isso em mais de uma ocasião. Essa característica, inclusive, já incomodou Temer algumas vezes”, afirmou um senador próximo ao grupo.

Essa faceta ficou evidente quando ele defendeu abertamente o rompimento do PMDB com o governo em julho de 2015, enquanto Temer defendia a manutenção da legenda na base governista. “Acabou esse constrangimento de silenciar por amizade e respeito ao Temer”, disse Geddel à época.

“Não temos nada contra o Temer e o Padilha. Mas está havendo uma extrapolação. Os dois fazem uma defesa intransigente do governo. E expressam posições que não correspondem ao pensamento da maioria do PMDB”, complementou Geddel.

Eliseu Padilha, o operador

Eliseu Padilha é um dos quadros mais antigos do PMDB. Está na legenda desde quando ela se chamava MDB (Movimento Democrático Brasileiro), nos anos 1960. Ao todo, foi deputado federal por cinco mandatos desde 1995. No governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Padilha ocupou o Ministério dos Transportes entre 1997 e 2001 como parte da aliança entre PSDB e PMDB.

Já durante a gestão petista, Padilha ocupou a Secretaria da Aviação Civil em janeiro de 2015. Deixou o cargo em dezembro de 2015, em meio ao agravamento das relações entre PMDB e o PT. É um dos principais aliados de Temer e participou de diversas reuniões da chamada articulação política no ano passado, quando o vice-presidente era o encarregado de dialogar, em nome do governo, com o Congresso.

Para o ex-líder do PT na Câmara dos Deputados Sibá Machado (AC), Padilha é a pessoa para quem Temer telefonaria em “caso de emergência”.

“Todo mundo tem uma pessoa para quem você ligaria em caso de emergência. Ao longo das reuniões em que eu participei com o Temer, a impressão que eu tenho é de que o Padilha é essa pessoa para o vice-presidente. Ele é o operador”, disse Sibá. Um deputado do PMDB ligado ao grupo corrobora essa ideia. “O Padilha é o mais organizado de todos. Ele conversa com todo mundo e filtra isso tudo”, afirmou.

Procurado pela reportagem, Padilha não atendeu aos pedidos de entrevista.

Um senador do PMDB próximo a Padilha e a Temer diz que a capacidade de “mapear” votos é um diferencial de Padilha. “Ele é muito bom nesse mapeamento. Ele conversa com todo mundo e monitora bem como serão os votos. Ele é muito preciso”, afirmou o senador.

Henrique Eduardo Alves, o amigo

Pedro Ladeira/Folhapress

Filiado ao PMDB desde 1982, Henrique Eduardo Alves tem a experiência de 11 mandatos de deputado federal consecutivos e é considerado o mais próximo de Temer. Segundo ele mesmo, a amizade com o vice-presidente se estreitou durante o período em que Temer era presidente da Câmara e Henrique era líder do PMDB, em 2007.

“Essa amizade cresceu quando atuamos juntos na Câmara, no dia a dia daquela Casa, eu como líder e ele como presidente. Quantas dificuldades passamos? Inúmeras”, afirmou Henrique. Um deputado do PMDB afirma que, dos cinco da “tropa de choque”, Henrique é mais próximo de Temer. “Com o Henrique, não é só uma relação política. É uma amizade, mesmo. Ele escuta o que o Henrique fala. São muitos anos de convivência”, afirmou.

Derrotado nas eleições para o governo do Rio Grande do Norte em 2014, Henrique Alves assumiu o Ministério do Turismo em abril de 2015 como parte de uma estratégia do governo para aumentar o apoio do PMDB no Congresso Nacional. Em meio ao agravamento da crise política, ele deixou o cargo em março deste ano.

Henrique diz, no entanto, que prefere não comentar sua proximidade com o vice. “Eu sou um grande admirador do vice-presidente, sobretudo por sua discrição. Nesse momento tão delicado, não gostaria que ficasse especulando sobre isso”, diz.

Moreira Franco, o “pensador”

Presidente da Fundação Ulysses Guimarães, braço do PMDB destinado à formação de quadros e formulação de políticas, Moreira Franco é apontado como o “pensador” do grupo. “Ele pensa as estratégias e avalia os passos”, diz um deputado do PMDB. “Ele é um estrategista e conversa muito com o vice-presidente”, afirmou um senador ligado ao grupo.

Alan Marques – 27.fev.2013/Folhapress

Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães

Um dos principais líderes do PMDB, Moreira Franco acompanhou o partido em sua “metamorfose” ao longo dos últimos 20 anos. Durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, atuou como assessor especial da Presidência. Quando o PMDB passou a integrar a base governista do ex-presidente Lula, Moreira Franco também ocupou cargos importantes.

Em 2007, assumiu a vice-presidência de Fundos e Loterias da Caixa Econômica Federal e, em 2011, a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo da recém-eleita Dilma Rousseff. Em 2013, assumiu a Aviação Civil, cargo que deixou em janeiro de 2015 dando lugar ao colega Eliseu Padilha.

Nos últimos meses, ele tem assumido o papel de um dos porta-vozes do PMDB na condução da ruptura do partido com o governo. Quando Padilha deixou a pasta da Aviação, ele defendeu que outros ministros do PMDB fizessem o mesmo.

Temer e Moreira Franco se conhecem há pelo menos 30 anos e, segundo Moreira Franco, os dois têm uma relação “fraterna”. Questionado sobre o papel de “pensador” que lhe atribuído, ele desconversa.

“Não sei se me vejo nessa posição, mas gente conversa muito sobre isso: o que fazer e como fazer. Debatemos muito. Os dois gostamos muito de militar e pensar antes para agir depois”, afirmou.

Romero  Jucá, o “centroavante”

Pedro Ladeira/Folhapress

Enquanto os outros quatro integrantes desse “núcleo duro” estão no PMDB desde os anos 80 ou 90, Romero Jucá só chegou ao partido em 2003, depois de deixar o PSDB.

A mudança de partido permitiu a Jucá estabelecer uma curiosa marca: ser líder do governo no Senado tanto nas gestões de Fernando Henrique Cardoso quanto nas de Lula e Dilma Rousseff.

A capacidade de transitar entre diferentes legendas faz com que ele seja avaliado por correligionários como um “ótimo centroavante”. “Todo time precisa de um centroavante. Ele é muito habilidoso e executa bem as missões que dão para ele”, afirmou um cacique do PMDB. O colega Moreira Franco complementa: “ele é um dos melhores quadros que temos”, disse.

Nem o fato de ser investigado pela Operação Lava Jato e apontado por executivos da empreiteira Andrade Gutierrez como beneficiário do pagamento de propina (suspeitas que ele nega) impediu que Jucá recebesse de Temer duas missões espinhosas: conduzir a ruptura do PMDB com o governo, oficializada no final de março, e defender o vice-presidente dos ataques que vem sofrendo por integrantes do governo.

Ele mesmo admitiu que uma de suas funções à frente do PMDB é evitar que Temer seja alvo do que chamou de “briga de rua”. 
“Isso retira o presidente Michel Temer da tentativa de alguns setores de trazer o presidente Michel para uma briga de rua”, afirmou logo após assumir o comando do partido.

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Saiba onde estava Temer nos principais momentos da política recente

O vice-presidente Michel Temer não chegou a esse cargo do nada. Com quase 50 anos de carreira, o peemedebista sempre circulou entre nomes importantes da política nacional, como mostra a imagem acima: (à esquerda) em 1985, como secretário de segurança de São Paulo ao lado de (esq. para dir.) Mário Covas (prefeito de São Paulo), Fernando Henrique Cardoso (senador) e do governador Franco Montoro; e em 2015, já como vice-presidente, entre o ministro da Defesa, Jaques Wagner, e a presidente Dilma Rousseff. Veja onde Temer estava em outros momentos marcantes dos últimos 30 anos.

Saiba onde estava Temer nos principais momentos da política recente

FOI PRESIDENCIALISTA NA CONSTITUINTE (1987-1988): Michel Temer iniciou a carreira política nos anos 60, como oficial de gabinete de Ataliba Nogueira, secretário de Educação do então governador de São Paulo, Adhemar de Barros, no período 1963-1966. Mas foi como deputado da Assembleia Constituinte, pelo PMDB, que começou a despontar. No período, Temer foi da Comissão de Justiça e, dentre outros feitos, defendeu o regime presidencialista –contra propostas de parlamentarismo no país– e foi responsável por definir as competências das polícias Civil e Militar na Constituição.

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NAS ELEIÇÕES DE 1989, TENDEU PARA O “QUERCISMO”: na primeira eleição direta para presidente após o regime militar, Temer ainda cumpria mandato de deputado federal constituinte. Na época, o candidato do PMDB Ulysses Guimarães sofreu com a oposição interna da ala do partido ligada a Orestes Quércia, que também queria sair candidato. Ulysses ficou apenas em sétimo lugar no pleito que elegeu Fernando Collor (à esq.). No fim de 1989, Temer foi um dos deputados que se reuniu com Quércia (à esq da foto de 1995) para discutir a criação de um novo partido (que acabou não se concretizando).

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DEFENDEU O IMPEACHMENT DE COLLOR (1992): Durante boa parte daquele ano, Temer atuou como procurador-geral de São Paulo –doutor em direito, Temer teve longa carreira como jurista. Ao lado de outros 19 procuradores de Estados, defendeu a votação nominal e aberta do pedido de impeachment de Fernando Collor na Câmara. Em 1994, já no governo Itamar Franco, Temer disse: “Pela primeira vez na história do Brasil, o Legislativo conseguiu colocar para fora um presidente da República pela via constitucional”.

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O “BOMBEIRO” DO MASSACRE DO CARANDIRU (1992): Foi em um triste momento da segurança pública brasileira que Michel Temer deu mais uma prova de ser um nome lembrado em situações de crise. Ele entrou no lugar do secretário de Segurança Pública, Pedro Franco, que caiu por ordem do então governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho. Fleury estava pressionado pela opinião pública após ter dado a ordem que causou a morte de 111 presos na penitenciária do Carandiru. Temer já havia sido secretário de Segurança na gestão de Franco Montoro, entre 1984 e 1986.

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NO PLANO REAL, TENTOU SE CANDIDATAR AO GOVERNO DE SP (1994): Na época do plano que mudou a economia do país, Temer estava focado nas eleições para governador. Era Secretário de Governo de Fleury (segundo da dir. para esq.) e saiu do cargo para tentar a pré-candidatura ao governo de São Paulo. Mas acabou articulando um acordo e apoiou o colega de partido José Munhoz, para que o favorito de Fleury –José Fernando da Costa Boucinhas, então secretário de Planejamento– perdesse espaço na disputa interna. Na corrida eleitoral, Temer se reelegeu deputado federal.

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“PEITOU” FHC JÁ NO PRIMEIRO MANDATO (1995-1998): em outubro de 1994, em meio ao segundo turno das eleições para presidente e governador, Temer e outras 86 lideranças do PMDB declararam abertamente apoio a Mário Covas em São Paulo –amigo pessoal de José Serra, Temer sempre teve proximidade com os tucanos. No ano seguinte, já como líder do PMDB na Câmara, Temer reivindicou mais espaço no governo e conseguiu de FHC (à esq.) a garantia de que o PMDB teria cargos.

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GARANTIU A APROVAÇÃO DA REELEIÇÃO E DA CPMF (1997): Quando a Câmara aprovou a emenda constitucional da reeleição, que permitiu que FHC pudesse realizar um segundo mandato, Temer era líder do PMDB na Casa e garantiu o apoio de 67 peemedebistas. À frente da Câmara no biênio 1997-1998, ele desengavetou o projeto do novo Código Civil, aprovado na gestão de Aécio Neves, e esteve à frente da aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), criada por uma medida provisória em 1996, da lei que instituiu a taxa até 2007.

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RIVALIZOU COM ACM NO 2º MANDATO DE FHC (1999-2002): Sem candidato próprio a presidente em 1998, o PMDB de Temer apoiou FHC informalmente na reeleição. Mas as relações começaram a estremecer no ano seguinte. Um dos principais aliados de Fernando Henrique (à dir), Antônio Carlos Magalhães (PFL) era presidente do Senado (segundo da dir. para esq.), e Temer estava à frente da Câmara (1999-2000). ACM resolveu cobrar de Temer agilidade na votação da reforma do Judiciário. A discussão entre os dois teve até ofensas pessoais.

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TENTOU SE APROXIMAR DE LULA NO 1º MANDATO (2003-2006): Amigo de José Serra, Temer, já como presidente nacional do PMDB (desde 2001, onde continua até hoje), articulou em 2002 para a peemedebista Rita Camata ser a vice na chapa do tucano nas eleições para presidente. Após a vitória de Lula, houve uma tentativa do PMDB se aproximar do PT via José Dirceu, mas Lula não quis. Temer também foi cotado para ser o vice de Marta Suplicy nas eleições para prefeito de São Paulo, e houve nova recusa dos petistas.

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AINDA ESNOBADO PELO PT NO MENSALÃO E MENSALINHO (2005): Além do enorme escândalo político deflagrado pela denúncia de Roberto Jefferson (acima), o então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, teve que renunciar por conta de uma propina recebida para deixar o empresário Sebastião Buani instalar seus restaurantes na Casa. E onde estava Temer? Foi mais uma vez cotado para presidir a Câmara, mas à época, Lula novamente o esnobou: “O Michel é um grande quadro, mas não sei se será o caso”, disse em setembro de 2005. Acima, Temer e Severino (à dir.) em foto de 1997.

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O PMDB SE ALIA AO PT NO 2º MANDATO DE LULA (2007-2010): Talvez cansado de ser escanteado pelo PT, o peemedebista começa a se “rebelar” discretamente. Em seu terceiro mandato como presidente da Casa (2009-2010), Temer chegou a declarar que queria “restringir a atividade legislativa do Executivo”, após decidir que as medidas provisórias não poderiam mais trancar a pauta do plenário em matérias que não fossem leis ordinárias. No fim de 2009, conseguiu garantir que o vice da chapa de Dilma Rousseff nas eleições de 2010 seria do PMDB. O escolhido foi Michel Temer!

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ENFIM VICE-PRESIDENTE, MAS COM PMDB RACHADO (2011-2014): Em 9 de março de 2012, a “Folha de S. Paulo” já revelava que Dilma sofria a insatisfação da base aliada, incluindo aí o PMDB do vice, Michel Temer. Essa crise durou praticamente toda o primeiro mandato da presidente e permitiu, entre outras coisas, a ascensão da influência do também peemedebista Eduardo Cunha na Câmara, graças ao apoio do “baixo clero” parlamentar. Enquanto isso, Temer “lavou as mãos” e se resignou em permanecer ao lado de Dilma apenas de forma protocolar.

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NOVAMENTE VICE E TAMBÉM ARTICULADOR (2015): Mesmo com a pressão interna de parte dos quadros do PMDB, Temer continuou fiel a Dilma na chapa das eleições de 2014 e mesmo nos primeiros meses de 2015; em abril, foi nomeado o articulador político do governo. Na função, tentou convencer o Congresso e os partidos a apoiar Dilma na crise, além de afirmar que a recessão econômica seria algo para ser rapidamente superada. Não conseguiu sucesso em agregar a base nem em acalmar a oposição. Pior: a indisposição do PMDB com Dilma continuou crescendo.

Saiba onde estava Temer nos principais momentos da política recente

COM UM PÉ “FORA DO BARCO” DE DILMA (2015) – Com a pressão da oposição por um impeachment da presidente e os escândalos da Operação Lava Jato ainda em andamento, Temer foi colocando o pé “fora do barco” do governo. No fim de agosto, segundo a “Folha”, o vice teria se irritado com Dilma por não ter sido consultado sobre a possibilidade da recriação da CPMF. Deixou o cargo de articulador político e começou a defender ideias como “o governo precisa evitar remédios amargos para sair da crise” e “ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice de aprovação [do governo]”.

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A CARTA DA RUPTURA (2015) – No início de dezembro, com o processo de impeachment da presidente Dilma aberto pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, Temer explicitou as divergências com o governo em uma carta destinada diretamente à presidente. Ele listou uma série de episódios que demonstrariam a “absoluta desconfiança” que sempre existiu em relação a ele e ao PMDB por parte da petista. O peemedebista alega que passou os quatro primeiros anos do governo como “vice decorativo”. “Sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB”, escreveu.
Fonte: UOL

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