
Se Sonia Braga quisesse pontuar sua vida por etapas poderia fazê-lo a cada dez anos. Em 1975, se tornou a mulher mais cobiçada do país ao emprestar sua sensualidade com uma pitada de cravo e canela a Gabriela. Uma década depois, despertou o mundo com sua misteriosa Mulher Aranha, que a colocou, logo em seguida, pela primeira vez entre as estrelas do tapete vermelho do Oscar. Em 1995, já radicada em Nova York e com uma carreira internacional, Sonia foi convidada a voltar ao Brasil e encarnar Tieta. Em 2005, Manoel Carlos a convenceu de atuar numa novela inteira e, no ano seguinte, ela voltou ao Rio. Em maio de 2015, o diretor Kléber Mendonça Filho, ainda pouco conhecido no circuitão, ofereceu a Sonia uma mulher aparentemente comum, sem grandes artifícios que deixassem aflorar sua aura de símbolo sexual.
É como Clara que Sonia Maria Campos Braga volta ao Festival de Cannes, com um filme na disputa, 31 anos depois. Na próxima terça-feira, ela e toda a equipe de “Aquarius” atravessam o tapete vermelho na França para a exibição do filme que concorre à Palma de Ouro. Ninguém duvida que a atriz de inacreditáveis 65 anos estará deslumbrante como sempre (ela vai vestir o estilista americano Narciso Rodriguez). O que contrasta com a Sonia Maria, a paranaense de boa conversa e hábitos simples, que poucos privilegiados conhecem.

“Sonia é esta mulher incrivelmente sexy e desejável que o cinema produziu. Mas, na verdade, ela adora se camuflar, se disfarçar. Você encontra a Sonia na rua e nem percebe que é ela, com cabelos presos, rasteirinha”, observa Nuno Leal Maia, com quem entre tantos trabalhos fez o sucesso “A dama do lotação”.
O poder de sedução da atriz é indiscutível. No momento, ela segue solteira em Nova York, para onde voltou após uma breve temporada entre o apartamento que comprou na Cinelândia e sua casa em Niterói. Se locomovia entre os dois lugares de barca. O reencontro com o Brasil se deu no Recife, onde “Aquarius” foi rodado.
Numa tarde na capital pernambucana, decidiu pintar o cabelo. “Ela entrou no salão e logo reconheci. perguntou se havia alguém disponível e, sem frescuras, entregou o cabelo todo nas minhas mãos. Ela usa castanho escuro nº 4”, recorda o cabeleireiro André Nobre: “Muita gente no salão desconfiou que não era ela. Sonia Braga aqui? Mas a voz é inconfundível. Ela me mostrou as fotos que faz, falou com as clientes e posou com fãs. No fim, deixou ainda uma gorjeta de R$ 100”.

Pelo visto, a atriz tem o dom de deixar boas impressões. “Quando a vi em cena com o José Wilker, pensei: ‘Santo Deus! Que mulher é essa?’”, conta Mauro Mendonça, que foi um dos maridos de Dona Flor, interpretada por Sonia: “Na tela, ela cresce, fica estupenda. pessoalmente é tão simples, uma flor que desabrocha aos poucos”.

Sonia desabrochou para um bom número de homens interessantes como ela. Namorou Caetano Veloso no fim dos Anos 70 (ela é a tigresa de unhas negras e íris cor de mel), foi casada com o fotógrafo Antônio Guerreiro, um dos solteiros mais cobiçados na época, e morou com o astro lindo e louro Robert Redford por três anos. Nos anos 90, namorou o guitarrista Mark Lambert, que se transformou no melhor amigo. Dizem ainda que no currículo de Sônia existe um affair com o italiano Marcello Mastroianni.
Com seu nome novamente em cartaz, Sonia Braga não parece inclinada a voltar às origens. Em breve, ela estreia a série de ação “Luke cage”, da Marvel, na qual interpreta a mãe da protagonista. “Não há menor possibilidade de ela voltar a morar no Brasil, lá fora eles têm memória e Sonia é muito respeitada. Está sempre fazendo coisas, sua vida está organizada lá”, conta um amigo.




























