Quilombolas refletem sobre preservação da Cultura com as Cenas Ribeirinhas

Depois de pegar as BR’s 122 e 428, a Cia. Biruta chega ao município de Orocó-PE, mas seu trajeto segue mais um pouco por um trecho de terra, até o Território Quilombola Águas do Velho Chico, em um reencontro com uma das comunidades que inspiraram o trabalho do grupo para a criação das Cenas Ribeirinhas, apresentadas no sábado (21). O projeto ainda leva os atores de volta a outras três comunidades que também foram pesquisadas, até o dia 29.

Esse momento foi de troca entre o grupo que colheu histórias daquelas comunidades para contar nos palcos com os moradores que vivem a realidade diária. Um momento emocionante para as duas partes. A coordenadora da Associação dos Moradores Quilombolas da Mata de São José, Maria Senhora Gomes, conhecida como Senhorinha, diz ter se identificado muito com o trabalho. “Fico emocionada, pois é uma realidade que a gente está vivendo agora com a transposição, a chegada de barragens. Que a gente não sabe se a gente vai ficar aqui na comunidade, no território”, comenta a moradora preocupada com a preservação das tradições quilombolas.

A comunidade em que Senhorinha vive é uma das tantas que estão sendo ameaçadas pelo projeto de transposição do Rio São Francisco, podendo ser inundada pelo eixo-leste da obra, e também pela barragem de Riacho Seco, da Bahia. O momento em que o projeto da Cia. Biruta chega para se apresentar, é o mesmo em que moradores se reúnem com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) para discutir essa situação. “Na cena de vocês mostrou isso, a nossa realidade, nosso orgulho de ser quem a gente é”, afirma a líder comunitária. O bisavô dela foi o primeiro a chegar nessa área e é nessa terra que está a memória de sua família. “Essa história precisa ser respeitada. Eu não quero sair daqui nem por um milhão, nem por dez bilhões de reais. Eu quero uma vida quilombola aqui, quero abraçar meu sobrinho, quero saber quem é o meu vizinho”, completa Senhorinha.

No momento político atual, o grito dos movimentos sociais no final da apresentação foi de muitos, mostrando garra para seguir na luta. Após uma foto com a bandeira que receberam com o dizer “água e energia não são mercadoria”, os atores se reuniram com os moradores para um momento cultural na Escola Quilombola Território Águas do Velho Chico. A música cantada trazia na letra a definição daqueles moradores, “um povo lutador”.
Ascom

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *