Pernambuco virou paraíso para bandido, diz policial

Ação Popular (AP)

O Diretor de Planejamento do SINPOL, Sindicatos dos Policiais Civis de Pernambuco, Roseno Neto, ocupou espaço na manhã desta quarta-feira (20) na imprensa e fez graves denuncias sobre os descasos com a segurança pública pelo Governo de Pernambuco. “Em Petrolina e todo o estado não se investiga porque não existe estrutura. Tenho quase dez anos que não recebo uma caixa de munição, os coletes estão vencidos, as viaturas sucateadas, não tem combustível, não tem efetivo, então o que acontece nesta situação, os criminosos estão soltos. Pernambuco virou a terra da impunidade, um paraíso para bandido”, denunciou.

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Foto: G1

Diante do quadro, o sindicalista afirmou ainda que ontem (19) estava programado uma assembléia da categoria no SINPOL, em Recife, para discutir os problemas, mas foi suspensa devido as chuvas.  “A assembleia era para tratar da campanha salarial e das condições de trabalho. Houve a chuva e não teve como realizar”, informou.

Sobre as condições de trabalho dos agentes civis em Petrolina e no Estado, através do contrato de terceirizados, o sindicalista informou que “no interior não existe a contratação desse pessoal, é só na capital”. No caso de Petrolina, ele informa que os próprios policiais faziam cotinha para pagar a uma pessoa para fazer a limpeza na delegacia. “Além da limpeza, nós compramos a própria água de beber”. Roseno denunciou ainda que o Estado não fornece o material de limpeza, de escritório, nada. “Esta situação de colapso se arrasta há mais de dez anos.  Hoje trabalhamos com 40% de nosso efetivo, sendo que este percentual é o mesmo da década dos anos 80. A cada ano o efetivo tem diminuído mais ainda, isso porque alguns agentes desestimulados fazem outros concursos e terminam saindo. O cargo de policia civil serve hoje como trampolim, entra hoje e sai amanhã. No concurso de 2006, entraram 1786 e saíram 1785, apenas uma permaneceu. Isso significa que trabalhar na policia civil não é atrativo”.

Desmotivados

Ele destacou a falta de estimulo por parte da categoria em desenvolver suas funções. “Nós que temos mais de dez anos, trabalhando na policia e estamos sendo obrigados a ficar desmotivados diante desta situação. Por outro lado, queremos trabalhar e o governo não oferece condições”.

Governo sem compromisso

Ainda segundo Roseno, mesmo o governador Paulo Câmara sabendo da situação, não recebe a categoria. “Ele é altamente prepotente e intransigente, e com isso não existe possibilidade de negociação”.

Descaso na delegacia de Petrolina

Na delegacia do centro de Petrolina, o Governador prometeu fazer reforma e até hoje nada. Ainda assim, os profissionais continuam usando um prédio alugado na Vila Mocó.  “Nesta delegacia tem uma cela improvisada, muita perigosa que não oferece qualquer tipo de segurança. Ela na verdade oferece risco aos policiais e a população. A cela foi construída de improviso.”

Pesquisas fraudulentas sobre diminuição da violência

Roseno afirmou que foi processado quando denunciou irregularidade no programa Pacto pela Vida. “Fui punido pela Corregedoria porque falei mal. Mas mesmo assim continuo a falar por esse programa é uma falacia, uma mentira vendida para o povo pernambucano. É um tipo de segurança falida  que não resolve problema algum, apenas trabalha com estatísticas fraudulentas  para causar uma falsa sensação de segurança a população porque quando se vê a realidade é de se assustar e de não sair de casa”.

Reivindicações

“Não estamos pedindo aumento salarial, estamos querendo uma equiparação com a gratificação de risco de função policial dos delegados. Nós recebemos 100% do em cima do salário base, e os delegados recebem 225%. Então nós queremos esses 225% e a reposição salarial, isso porque a nossa vida é igual a deles. Quem sai para as ruas para combater bandidos somos nós, o delegado não sai da delegacia”.

Ele concluiu afirmando que a próxima assembleia ficou marcada para o dia 2, as 9h na sede do SINPOL. Ele não descartou a possibilidade de greve. “Ela é real e pode acontecer”.

Com informações de Neya Gonçalves

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