Rui Costa ameaça o presente e o futuro político de Jerônimo Rodrigues
Pore Rodrigo Daniel Silva, do Correio

Ex-ministro Rui Costa e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues Crédito: Mateus/SECOMGOVBA
Amigos, a postura do ex-ministro Rui Costa durante esta pré-campanha eleitoral tem chamado a atenção. Nos bastidores, comenta-se que coube a ele a missão de desconstruir o discurso da oposição baiana. Entretanto, o tom agressivo adotado pelo ex-governador parece revelar justamente aquilo que o grupo governista tenta esconder: a eleição na Bahia está mais acirrada e difícil para a base petista do que se poderia imaginar.
Preste atenção, caro leitor. Em 2022, quando o então ex-secretário Jerônimo Rodrigues foi eleito governador da Bahia, era natural imaginar que seria quase impossível para a oposição vencer a eleição de 2026. Afinal, Jerônimo disputaria a reeleição após quatro anos no comando do estado, com a força da máquina pública, ampla exposição institucional e o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que há décadas mantém influência política e eleitoral na Bahia.
Esse conjunto de fatores, em tese, reduziria consideravelmente as chances de qualquer adversário. Mas não foi o que aconteceu.
Ao contrário, a oposição chega a 2026 com chances reais de vitória, inclusive no primeiro turno. Pesquisas eleitorais já apontaram o pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) com vantagem de até dez pontos percentuais sobre Jerônimo Rodrigues.
É esse cenário que ajuda a explicar a retórica cada vez mais dura de Rui Costa, que também carrega uma parcela de responsabilidade pelo atual enfraquecimento político do governador. Jerônimo mal havia se sentado na cadeira de governador quando enfrentou seu primeiro grande desgaste: a indicação de Aline Peixoto, esposa de Rui Costa, para o cargo de conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.
Imagine, amigos: o eleitorado ainda nem conhecia o estilo de governo de Jerônimo, mas ele já se tornava alvo de críticas por cumprir um compromisso político com um de seus principais aliados.
Além disso, sobretudo no início do mandato, Rui Costa fez questão de destacar que muitas das obras inauguradas por Jerônimo haviam sido iniciadas durante a sua própria gestão. O resultado é que o atual governador chegou a 2026 com dificuldades para apresentar uma marca própria. E, como afirmou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, “um governo sem marca é um governo fraco”.
O problema, porém, ultrapassa a disputa eleitoral e pode comprometer o próprio futuro político de Jerônimo Rodrigues. Em caso de derrota, seria natural que o governador assumisse a liderança da oposição na Bahia. Mas, ao se colocar desde já na linha de frente dos ataques a ACM Neto e a seus aliados, Rui Costa pode acabar ocupando também esse espaço e relegando Jerônimo a um papel secundário.
A pergunta que fica é: qual será o futuro político de Jerônimo Rodrigues caso a oposição vença a eleição? Se nem mesmo a liderança da oposição lhe estiver reservada, qual papel restará ao atual governador?


























