Após rejeitar soldados da ONU, governo do Sudão do Sul diz que está disposto a ‘cooperar’
O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, disse nesta segunda-feira (15/08) que o país está disposto a cooperar com órgãos nacionais e internacionais para tentar alcançar a paz na região, contanto que isto não atinja a soberania nacional. A declaração vem após o porta-voz sul-sudanês, Michael Makaui Luiz, dizer que o país rejeitaria a decisão do Conselho de Segurança da ONU em aumentar em 4.000 o número de soldados, conhecidos como capacetes azuis, no local.
Em discurso por ocasião da inauguração do parlamento de transição, Kiir afirmou que não é contra as Nações Unidas, a africana Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad) ou os Estados Unidos. No entanto, apontou, “a ajuda requer certo diálogo, mas não deve se transformar em uma intervenção que diminua nossa soberania e poder”.
Kiir fez referência à resolução do Conselho de Segurança, aprovada na sexta-feira, que reforça a missão de pacificação no Sudão do Sul (UNMISS), incluído o desdobramento de novos soldados até chegar aos 17 mil. Ele desmentiu que seu gabinete tenha rejeitado colaboração da ONU.
“O governo de transição não se reuniu ainda para formular uma postura definitiva perante a resolução do Conselho de Segurança”, afirmou.
O líder disse que seu governo tem “compromisso” com o acordo de paz, assinado há um ano, e com a realização de uma investigação global sobre as acusações de violações de civis por parte de suas tropas. Kirr afirmou que “serão levados a julgamento todos os envolvidos” em casos de abuso sexual.
Agência Efe/arquivo

Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, diz que país pode cooperar com órgãos internacionais, mas sem atingir soberania
Resolução do Conselho de Segurança
A resolução do Conselho de Segurança, aprovada em 12 de agosto, estipula que entre os 17 mil militares com os quais contará a UNMISS, haverá 4.000 novos soldados africanos.
Esta decisão foi tomada depois que os combates entre unidades militares rivais registrados na capital, Juba, entre 8 e 11 de julho, deixaram pelo menos 300 mortos e provocaram o deslocamento de milhares de pessoas.
Kiir e Machar formaram um governo de união nacional em abril, como estabelecia o acordo de paz de 2015, que devolveu a Machar seu posto de primeiro vice-presidente.
Em paradeiro desconhecido desde meados de julho e após vários dias de enfrentamentos que deixaram pelo menos 300 mortos, Machar foi substituído como vice-presidente em 25 de julho por Taban Deng Gai, nomeado por Kiir.
Em recente entrevista à emissora Al Jazeera, Machar rejeitou a nomeação de Gai, se reivindicou como primeiro vice-presidente do governo sul-sudanês e reconheceu que se encontra refugiado nos arredores de Juba.
O conflito entre os dois líderes começou no fim de dezembro de 2013 depois que Kiir, da etnia dinka, denunciou uma tentativa de golpe de Estado por parte de Machar, pertencente à tribonuer.
(*) Com Efe


























