[Opinião] A vida em dois toques
Por Luciano Siqueira*
Quando o argumento não convence, se sobrepõe a repressão. A Lei Seca é um exemplo. Outro exemplo é a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos veículos.
Evitar ingerir bebida alcoólica quando se está dirigindo devia ser uma atitude espontânea. Mas não é. Por mais que campanhas recorrentemente sejam feitas pela TV e outros canais. E por mais contundente e doloroso que seja o noticiário a respeito. O infrator sempre “acha” que com ele não acontece.
Matéria no jornal O Globo, a propósito de estudo feito pelo Ministério da Saúde, em 27 capitais entre fevereiro e dezembro de 2017, o uso de álcool antes de dirigir aumenta 16% quase dez anos após Lei Seca. Sobretudo nos estratos de maior escolaridade (12 anos ou mais de estudo).
Nada menos que 6,7% da população adulta no Brasil admite o erro. A consciência cidadã está em baixa.
Importa menos a quantidade de álcool ingerido e mais a decisão de correr o risco. Muita gente se embriaga com uma única dose de uísque ou uma tulipa de chope. Daí para o acidente fatal na estrada é um passo.
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Miguel, 12 anos, põe um pen drive com sua seleção de rock n’ roll no som do carro e pede à mãe que preste atenção ao solo de guitarra de Tony Iommi, da banda Black Sabbath.
— Escuta mãe, o solo de guitarra dele.
— Como assim?
— Todos os outros são previsíveis, no final. Mas com ele, não. Aparece no começo, no meio e no fim. Igual à vida, acontecem coisas surpreendentes, sem a gente planejar…
*Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife



























