Por Magno Martins
No Brasil, notadamente em Pernambuco, a política anda em baixa, modorrenta, sem graça. E ficou mais pobre ainda com a morte do deputado Waldemar Borges (PSB), no sábado passado. Wal, como era tratado pelos amigos, era um político diferenciado. Tinha a exata noção do poder, não do seu usufruto, mas da compreensão de transformar sociedades e moldar o futuro.
Era ético, correto, inimigo da deslealdade. A ética na política não é uma escolha, é uma obrigação e assim cumpriu à risca o agora saudoso Wal, cuja excelência na vida pública herdou do pai, o também ex-deputado Waldemar Alberto Borges Rodrigues Filho, conhecido como Deminha, que Deus chamou em 2023, aos 93 anos.
Deminha teve uma longa trajetória na defesa da democracia e das causas populares, chegando a ter seu mandato de deputado cassado pelos militares em 1968 durante a Ditadura Militar. Austero, vigilante, correto e corajoso, se destacou ao lado de Miguel Arraes no combate ao bom combate no expurgo ao regime de exceção.
Impossível falar de filho sem citar pai: Wal foi um privilegiado. Teve um pai cuja vida é testemunho de decência, correção, generosidade e coerência, valores que ele também transmitiu. Os ensinamentos repassados através dos inúmeros exemplos que ele deixa continuarão sempre a inspirar os bons políticos.
A morte de Wal também abre um grande vácuo na oposição em Pernambuco. No enfrentamento ao Governo Raquel, mostrou coragem e disposição em apontar os erros e buscar saídas com a única preocupação em servir ao povo.
A política é diabólica, já preconizou Roberto Magalhães. É também um deserto de homens bem intencionados, de elevado espírito público. Wal foi exceção, não regra. Quebrou o paradigma do mal. Tinha a mão que embala o berço para governar o mundo. O saudoso Wal se foi, mas fica uma de suas grandes lições: em política é preciso curar os males e nunca vingá-los.

























